A história original e o roteiro são também co-autoria do diretor. E ele foi logo buscar inspiração nos famosos filmes B dos anos 50, que usavam de muita criatividade para superar problemas financeiros com elenco, equipe e efeitos especiais. Abusou o suficiente e conseguiu fazer apenas uma comportada comédia trash. Mas pelo pouco dinheiro gasto, o resultado é bem superior a Godzilla, produção anterior da dupla Dean Devlin e Roland Emmerich, que custou US$ 125 milhões aos cofres da Columbia TriStar.
O roteiro busca explorar medos ancestrais e, como o exagero é a força motriz deste gênero, nada como um inseto repugnante que sofre mudanças genéticas. A pequena cidade de Prosperity, Arizona, tem um maluco por aranhas e um lago, dentro da sua fazenda, que esconde uma contaminação terrível abaixo da superfície plácida. Começa a desgraça. Elas são alimentadas com pequenos insetos do lago e à medida que ganham tamanho, aumenta a fome. E elas passam a devorar toda a carne, humana ou não, que encontram pela frente.
O enredo exige um herói mais para o canastrão, o que é levado bastante a sério - a canastrice - pelo ator David Arquette, que interpreta o herdeiro de uma mina abandonada que retorna à cidade depois de longos anos. No momento certo, é claro. Assim que entra em cena, as aranhas já estão trilhando o caminho da comida. Enfim vai ser cumprida a profecia de um outro maluco notório da cidade, o paranóico locutor de uma rádio pirata, Harlan (Doug E. Doug), que desde sempre tenta alertar a população sobre os riscos de experiências químicas e genéticas feitas pelo governo americano.
Uma derrapada feia da produção é a utilização de computadores para construir os imensos insetos, isto tirou um pouco do brilho, que transformaram muitos filmes B em verdadeiros clássicos. Está até muito bem feita, poderiam ter exagerado na trucagem malfeita. Mas o princípio desta corrente cinematográfica está melhor que a encomenda. O deboche para tratar a ficção científica é a tônica. Não falta, inclusive, uma menção ao megassucesso Homem-Aranha.
Filme feito sob medida para espectadores amantes do trash, que têm uma hora e meia para gargalhar com as piadas (poucas, porém totalmente infames, como de costume neste tipo de cinema) e as correrias causadas pelo exército aracnídeo. Para adolescentes mais maduros, este é apenas um programa para sessão da tarde em canal de pouca audiência - como dito por um que assistiu à pré-estréia.
Cineweb - 16/8/2002
