04/06/2026
Drama

O pai dos meus filhos

Grégoire é um produtor de cinema cujos negócios não andam muito bem. Imerso no trabalho, ele não tem tempo para a mulher e as filhas. Porém, uma reviravolta na trama desloca o foco sobre a mulher do protagonista.

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É com alguns anos de atraso que o segundo filme da francesa Mia Hansen-Løve, O pai dos meus filhos, chega ao circuito brasileiro – depois da boa recepção de seu mais recente longa, Adeus, primeiro amor. Aqui, a personagem feminina ganha força a partir de uma tragédia pessoal. Num artifício que faz lembrar o de Psicose, Hansen- Løve, também autora do roteiro, tira os chão dos pés não apenas de sua protagonista – vivida pela italiana Chiara Caselli – mas também do público.
A primeira metade do filme é dominada pela figura de Grégoire Canvel (Louis-Do de Lencquesaing), produtor de cinema hiperativo e ultra endividado que não sabe o que fazer para tirar sua empresa do vermelho – e se recusa a vender seu catálogo de filmes, o que cobriria parte das dívidas. A menina dos seus olhos é um filme chamado Saturno, que um diretor megalomaníaco filma fora da França, inventa dezenas de empecilhos e no fim, sabe-se, não vai dar qualquer dinheiro.
A vida familiar, em consequência, não vai bem por conta disso. Tempo demais gasto no trabalho, pouco dinheiro, alto padrão, três filhas e uma mulher acostumadas à boa vida para sustentar. Quando Sylvia (Caselli) precisa tomar os negócios em suas mãos, ela se torna o centro do longa e o filme, bem mais interessante.
A primeira parte com o produtor chato e neurótico, embora cansativa, serve como o contraponto para o que vem depois. O segmento dura exatamente metade do filme – mas parece mais longo do que o outro -, e serve como uma construção dos personagens, a base para o drama que vai se abrir a seguir.
Hansen-Løve, que além de diretora e roteirista também atuou em filmes de seu companheiro Olivier Assayas, conhece bem os bastidores do mundo cinematográfico – as trocas de favores, os produtores desesperados, os diretores defendendo sua arte... No filme, boa parte disso parece piada interna de que só ela e alguns colegas podem achar graça. E é exatamente quando esses detalhes deixam de ser o centro da trama que O pai dos meus filhos torna-se mais interessante e fala mais amplamente.
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