03/06/2026
Documentário

Quem se importa

Documentário procura analisar diversas tentativas de empreendedorismo social, entrevistando diversos participantes de ONGs.

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Existe um mundo perfeito, ou quase perfeito, no documentário Quem se importa, da diretora Mara Mourão. É um mundo habitado por pessoas idealistas que se unem para praticar boas ações onde houver algum desequilíbrio no mundo. Dos Estados Unidos a uma aldeia africana, passando por uma favela brasileira ou sul-americana. E o conselho que se dão, umas às outras, é: “Arregace as mangas e comece a trabalhar”.
 
Ao abordar o universo das organizações não-governamentais em seu novo filme, Mara apresenta exemplos bem-sucedidos, narrados por personalidades brasileiras e internacionais, como o prêmio Nobel da Paz Muhammad Yunus, autor de um projeto inovador posto em prática em Bangladesh, com a criação de um banco popular, responsável por pequenos empréstimos a pessoas pobres necessitadas. Ou Wellington Nogueira, do brasileiro Doutores da Alegria, que fazem um importante trabalho em hospitais para amenizar o sofrimento de crianças com câncer.
 
Filmado no Brasil, Peru, Estados Unidos, Canadá, Tanzânia, Suíça e Alemanha, Quem se importa reúne histórias de empreendedorismo social com final feliz. São ações destinadas a apoiar comunidades carentes que poderiam ser postas em prática em qualquer lugar do planeta, bastando “arregaçar as mangas”.
 
Mesmo com todas as boas intenções explicitadas no filme – e muitas histórias são realmente emocionantes –, não é possível adotar uma postura tão reducionista no tratamento das grandes tragédias humanas. Ações individuais ou de grupos são importantes, mas não podem deixar de contemplar a responsabilidade dos governos para sua solução. Despolitizar o enfrentamento dessas questões não é um bom exemplo para as gerações mais jovens e idealistas.
 
Em nenhum momento a diretora se posiciona pelo rigoroso acompanhamento de canais institucionais ao trabalho desses grupos. Sabemos pelo exemplo brasileiro que a falta de uma fiscalização adequada dos poderes públicos acaba permitindo a prática de irregularidades por entidades desonestas.
 
Por mais idealistas e bem-intencionados que sejamos, é preciso mais do que voluntarismo para que o ser humano possa viver com dignidade em qualquer recanto do planeta.
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