18/07/2026
Suspense

Armadilha [2011]

Três amigos de trabalho ficam presos em um caixa eletrônico e tem que lutar por suas vidas ao se defenderem de um estranho homem que tenta atacá-los.

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Não é motivo de espanto que Armadilha tenha sido hostilizado pela crítica americana quando estreou por aqueles lados. Com um limitado argumento, em que um serial killler aterroriza suas vítimas acuadas em um edifício, o roteiro traz situações tão desconfortáveis para as personagens quanto para a lógica. 

David (Brian Geraghty), que é um desses tímidos de carteirinha, vê uma oportunidade de conversar com Emily (Alice Eve) durante a festa da empresa onde trabalham. Porém, quando recebe sinal verde da moça para levá-la para casa, seu embriagado amigo Corey (Josh Peck) resolve dar trabalho, não só pedindo carona, mas querendo dinheiro para comer, além de companhia. Enfim, em linguagem corrente, o rapaz simplesmente não se toca.

É nesse contexto que o trio vai parar, de madrugada, em um caixa eletrônico localizado no meio de um estacionamento escuro e deserto, onde o termômetro marca 20 graus negativos.  A despeito disso, David não vê problemas em estacionar a 50 metros de distância do caixa ou mesmo que os três entrem na edificação de vidro mal aquecida. 

Antes de sair com o dinheiro, no entanto, eles percebem que, entre a porta do caixa e o carro, há um homem suspeito. Mas não acham que estão realmente em apuros até o tal estranho matar a sangue frio outro homem que andava por ali com seu cachorro – outro que não viu problema em passar por um lugar ermo, escuro e gelado, de madrugada. 

Nos próximos 70 minutos, o espectador ficará entregue à tensão criada pela ameaça do serial killer do lado de fora, enquanto o trio congela dentro do banco. A tal armadilha, enfim, urdida pelo vilão, tal como mostrada nas cenas iniciais da produção.
 
O roteiro de Chris Sparling, que assinou também o ótimo Enterrado Vivo, poderia ser interessante se não descambasse em uma série de soluções estapafúrdias, tornando-o insustentável. Além do trio não ter qualquer ideia razoavelmente aplicável para a situação – e poderiam ter muitas –, ou a motivação do vilão, há cenas que simplesmente desafiam a realidade: como a inundação do caixa eletrônico com a porta aberta. 
 
Como Armadilha se leva a sério, difícil imaginar a reação cabível do espectador diante de algumas cenas: como, por exemplo, a de um guarda perguntando “tudo bem?”, quando há corpos no chão e um enorme HELP (socorro) desenhado na porta de vidro. Poderia ser divertido, mas não é.      
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