04/06/2026
Documentário

Mr. Sganzerla - Os signos da luz

Ganhador do principal prêmio do festival É tudo Verdade deste ano, o documentário investiga a obra do cineasta Rogério Sganzerla – morto em 2004 – e seu pensamento sobre cinema, além de suas influências, como Orson Welles e Jimmy Hendrix.

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 “Cinema é arma e escudo de combate”. Assim define seu ofício o diretor Rogério Sganzerla (1946-2004) no premiado documentário Mr. Sganzerla – Os signos da luz, de Joel Pizzini, que estreia em São Paulo, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Brasília e Salvador com sessões gratuitas. Premiado no festival de documentários É tudo verdade, o filme faz parte do projeto Iconoclássicos, que produziu longas como Assim é, se lhe parece, de Carla Gallo, e Ex Isto, de Cao Guimarães.
 
Mr. Sganzerla – Os signos da luz é um filme-ensaio sobre o diretor de O Bandido da Luz Vermelha, que combina imagens e depoimentos de arquivo para criar um efeito inebriante que mergulha no universo do cineasta , suas influências, expectativas e sensibilidades. Orson Welles, é claro, surge como uma figura forte, sempre rondando a obra do cineasta brasileiro.
 
Para Sganzerla, Welles era “o melhor cineasta do mundo”, e a passagem do diretor americano pelo Brasil, em 1942, se tornou quase uma obsessão para o brasileiro, que fez de sua obra um diálogo constante com a do diretor de Cidadão Kane – especialmente em filmes como Nem tudo é verdade (1986), uma espécie de documentário escrachado que “reconstitui” a passagem do americano pelo país. 
 
Sganzerla defendia, e isso fica claro no filme, que cinema é montagem. Pizzini – que tem no currículo obras como 500 Almas (2004) e Anabazys (2009) – não poderia ter prestado melhor homenagem ao cineasta com um documentário altamente calcado na edição, conectando falas que estariam, a priori, distantes no tempo e espaço.
 
Aos poucos, de forma pouco convencional, Pizzini retraça a trajetória de Sganzerla jogando luz sobre a forma como o cineasta encarava o cinema. “Ver ou não ver. Eis a questão” , diz ele. Vemos na tela um apanhado de sua obra e daqueles com quem ela dialogou, como Noel Rosa, Jimmy Hendrix e Oswald de Andrade e o Manifesto Antropofágico.
 
“Submersão não significa submissão”, declara Sganzerla, em cujos filmes, mais do que voz, o subalterno podia gritar. Foi pelo confronto de ideias que ele deu vigor ao cinema nacional. Tal qual sua obra, em Mr. Sganzerla  impera um mundo caótico, quase hiperativo, no qual adentrar é descobrir possibilidades da arte.
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