04/06/2026
Drama

O Grande Gatsby

As festas luxuosas do milionário Jay Gatsby causam furor em Nova York. Todo mundo quer estar na lista e frequentar a imensa mansão do rico e misterioso homem, sobre quem correm as mais diversas lendas. Seu vizinho, Nick Carraway, é jornalista e escritor pobre, mas acaba convidado um dia. Tornando-se amigo de Gatsby, ele descobre que, por trás de tudo, há sua obsessão romântica pela prima de Nick, Daisy Buchanan, que é casada.

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O cineasta australiano Baz Luhrmann nunca sai a campo se não for para tornar algo pop. Foi assim em Romeu + Julieta (1996), repaginando em batida rock a história dos amantes infelizes mais famosos da história. Ele repete a dose com sua nova versão de O Grande Gatsby, associando-se novamente ao galã Leonardo DiCaprio, o ator número um da lista quando se trata de encarnar heróis românticos trágicos (basta lembrar Titanic).

Contando ainda com dois outros ótimos atores, Tobey Maguire e Carey Mulligan, e a espetaculosidade do 3D, o que poderia, então, dar errado nesta feérica retomada do romance escrito em 1925 por F. Scott Fitzgerald, filmado quase 30 anos atrás pelo inglês Jack Clayton?

A verdade é que, apesar do inegável empenho do trio central de atores, alguma coisa pesa sobre eles, como a maldição que, finalmente, engole Jay Gabsby (DiCaprio), Daisy Buchanan (Carey) e Nick Carraway (Maguire). Nada disso vem da história original, mas dessa postura espalhafatosa do próprio Luhrmann – que serve até bem às cenas de festas e danças, mas termina por se apoderar de todo o drama em si, perdendo o foco. Na versão 3D, esse vazio luxuoso fica ainda mais evidente.
 
Luhrmann empenhou-se muito em trazer a história para a atualidade por todas as formas que lhe pareceram compatíveis, especialmente a música. Assim, como acontecia com Maria Antonieta, de Sofia Coppola, misturam-se na trilha os contemporâneos Beyoncé, Bryan Ferry, André 3000, o jazz dos anos 1920 e os irmãos George e Ira Gershwin. Nenhum problema, afinal, não é esse isso que contamina o filme, é sua vasta coleção de excessos que termina por vampirizar o romance impossível de Gatsby e Daisy, artificializando-o como um produto emperequetado demais de vitrine de shopping center.
 
Para quem assistiu ao filme de 1974 (estrelado por Robert Redford e uma Mia Farrow que era, certamente, bem menos interessante do que Carey Mulligan), alguns cenários são mostrados com mais detalhes – caso do “Vale das cinzas”, bairro operário dos arredores de Nova York, transformado num verdadeiro paradigma de uma Revolução Industrial já fora de época ao retratar a brutalização do ambiente pelas condições desumanas do trabalho das classes menos favorecidas.
 
O contraste entre este mundo deprimente e as esfuziantes festas da mansão Gatsby – um milionário novo-rico com obscuras ligações com o submundo, mas internamente consumido por uma obsessão romântica por uma mulher casada e frágil, Daisy – pretende formular um comentário sobre a crise econômica e a irresponsabilidade dos muito ricos. Mas a moldura em que isto e tudo o mais é inserido, finalmente, desaba. O Grande Gatsby, o filme, não passa de uma casca, colorida, brilhante, mas que não oculta nenhuma substância autêntica por trás.

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