04/06/2026
Drama

Um verão escaldante

Frederic é um jovem pintor que se torna amigo de um aspirante a ator. Quando este se hospeda em sua casa, surge uma tensão entre eles e a mulher do pintor e a namorada do amigo.

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Mais uma vez, o francês Philippe Garrel fala – ou tenta falar – de amor, em Um verão escaldante, que estreia no Brasil depois de passar praticamente despercebido – não fossem as pedradas que levou – no Festival de Veneza do ano passado.
O filho do cineasta, Louis Garrel, novamente é o protagonista, interpretando o mesmo papel que fez nos últimos anos – o do jovem apaixonado e perturbado – como em Amantes Constantes, A fronteira da alvorada (ambos do pai) e alguns outros, como Os sonhadores. A trama situada em Roma busca alguma relação espacial e temática com O desprezo, de Jean-Luc Godard, mas morre na intenção, uma vez que faltam ao cineasta inspiração e frescor.
Louis é o pintor Frédéric, casado com a atriz Angèle (Monica Bellucci). Quando conhece Paul (Jérôme Robart), aspirante a ator, convida-o para se hospedar em sua casa. Paul traz também sua namorada, Élisabeth (Céline Sallette). Os quatro falam – e muito, como manda a cartilha do cinema francês. O grupo filosofa sobre paixão, amizade, desejo e traição. Fica quase óbvio onde Garrel pai quer chegar – e, por isso mesmo, o filme cai na mesmice que promete armar desde o começo.
A trama – assinada pelo diretor e Marc Cholodenko e Caroline Deruas-Garrel – é narrada por Paul, o que não faz muito sentido quando ele conta algumas cenas nas quais não estava presente. Em cena, Garrel filho mostra a apatia que lhe é constante. Belluccci, por sua vez, tira a roupa em algumas cenas, mas isso não é o bastante para a dimensão densa que a personagem aspira ter.
Em Um verão escaldante, todo mundo chora, briga, grita, ama e odeia com certa intensidade. É inquietante ver como o cinema de Garrel parece ter parado no tempo, com seus personagens vivendo numa outra dimensão, onde os problemas são, basicamente, de ordem emocional. Eles adoram sofrer por amor, e sofrem tanto que é difícil saber se estão realmente com dor ou apenas inventando- a por prazer diante da câmera.
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