O vizinho, um idoso homossexual que em outros tempos foi demitido justamente por sua opção sexual, salva a vida de François bem na hora em que ele ia cometer suicídio. Divorciado, ainda apaixonado pela ex-mulher (Alexandra Vandernoot) e esnobado pelo filho adolescente (Stanislas Credillén), o contador não via saída para sua vida, depois de saber que estaria na rua nos próximos dias. Belone monta uma cuidadosa tramóia que inclui o envio de fotos montadas à direção da fábrica. Por conta dessas fotos em que aparece em figurinos sadomasoquistas em clubes gays, a nova fama de François se espalha pelos corredores. Salva-o, também, do desemprego, mas não deixa de acarretar confusões, para ele e para outros à sua volta.
Por conta de sua nova imagem, François não tem como esquivar-se ao convite do presidente da empresa para que seja seu garoto-propaganda num carro-alegórico numa parada gay - com direito a um figurino esdrúxulo, como um chapéu imitando uma camisinha. Além disso, fica mais longe a possibilidade de um sonhado romance com sua chefe, a sensual miss Bertrand (Michèle Laroque).
Por outro lado, a novidade sobre François abre a possibilidade para que um executivo gozador (Thierry Lhermitte) monte uma armadilha para um chefe de pessoal arqui-reacionário, Félix (Gérard Depardieu). Convencido de que nos tempos que correm expressar sua fúria contra os gays pode custar-lhe o próprio emprego, Félix passa a encher François de atenções - convidando-o para almoçar e dando-lhe de presente um vistoso suéter rosa. Um comportamento que, como se poderia esperar, cria suspeitas sobre a macheza do próprio Félix.
Equilibrando-se sobre esta coleção de mal-entendidos, o filme extrai uma energia benigna de seus ótimos atores, embora não chegue à genialidade de A Gaiola das Loucas (78), de Édouard Molinaro. Foi um grande sucesso na França, país que ultimamente não pára de bater seus próprios recordes em termos de público cinematográfico, o que já está preocupando Hollywood.
Cineweb-12/4/2002
