O que pensar de um relações-públicas que passa sua vida paparicando celebridades do show business americano e, no fim de sua carreira, percebe que nunca fez nada de realmente importante? Esse é o questionamento central do novo filme do diretor Dan Algrant, O Articulador.
Ao mostrar a degradação emocional de um personagem autodestrutivo, o espectador sente o impacto do "isso pode acontecer comigo também". Afinal, o filme foge de situações hipotéticas e dos exageros que marcam o gênero. Some-se a isso, a excepcional performance de Al Pacino, que simplesmente potencializa ao máximo a história de Eli Wurman, o tal badalado RP de Nova York.
São 2h30 da madrugada, e Eli Wurman paga a fiança de uma estrela de TV americana (Téa Leoni) e a tira da cadeia, como um favor para seu último cliente importante, Cary Launer (Ryan O'Neal), um astro de cinema mundialmente famoso. Sem saber, o personagem acaba de entrar em um jogo de interesses, que envolve drogas, política, assassinatos e muita promiscuidade.
De qualquer forma, a falta de moral e o mínimo de princípios dos personagens apenas reforçam os questionamentos centrais de Eli. E, nesse caminho, deixa ao espectador a idéia de que todos nós podemos ser corrompidos na confusão da mídia, fama, política e banalidades. Tudo é uma questão de oportunidade.
Por outro lado, o filme pode ser visto também como um vigoroso suspense, de fazer qualquer espectador ficar preso na cadeira até o último minuto. Deixando um pouco de lado toda a problemática psicológica mostrada pelo personagem, os acontecimentos que movem o filme são impressionantes.
Cineweb-27/9/2002
