18/07/2026
Thriller

O Assalto

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David Mamet é sempre sinônimo de histórias inteligentes e, principalmente, diálogos bem escritos. Diretor de cinema e dramaturgo conceituado, Mamet domina a arte de seu ofício como poucos. Em O Assalto, o diretor chega a um dos melhores momentos de sua carreira com um thriller bem construído, personagens complexos e reviravoltas na trama que são um elogio para a inteligência da platéia. No final, reconstruímos a história e tentamos juntar todas as pontas para concluir que nenhuma pista foi abandonada e nenhum elemento usado por acaso. Um prêmio para o espectador cada vez mais acostumado a seguir tramas frágeis e a desvendar mistérios logo no início da projeção. Biscoito fino.

Boa parte do sucesso de O Assalto deve ser creditado ao primoroso elenco encabeçado por Gene Hackman, na pele de Joe Moore, um refinado ladrão, chefe de um competente grupo do qual participam sua bela e jovem amante, Fran (Rebecca Pidgeon, mulher de Mamet na vida real), Bobby (Delroy Lindo) e Pinky (Ricky Jay). Ao assaltar um joalheria, por encomenda do receptador Bergman (Danny DeVito), Joe acaba sendo flagrado pelas câmeras do circuito de TV. Aproveitando a fragilidade do chefe do grupo, Bergman o obriga a participar de outro plano, alegando que perdeu muito dinheiro na organização dos golpes anteriores.

Joe nega-se a participar, mas acaba voltando atrás pois não recebeu a parte que lhe caberia no assalto à joalheria. Não é difícil imaginar que Joe já tem um plano em mente: praticar o golpe milionário e tirar o receptador da jogada. Claro que Bergman também pensou nisso e coloca seu sobrinho na quadrilha. Ele vai se insinuar para a mulher de Joe, mas não será isso mesmo que o ladrão quer? Ou será que é Fran que demonstra interesse no homem mais jovem?

Para quem acompanha as cenas explícitas de traição exibidas diariamente no noticiário da atual campanha presidencial brasileira, não será difícil perceber que gratidão e lealdade também são palavras pouco usadas no dicionário dos ladrões. Mas, aqui, as punhaladas são mais encobertas e, o melhor de tudo, é que ficamos sempre desconfiados ao acompanhar a ação de cada personagem, tentando descobrir quem será o Brutus da história. As pistas estão mais presentes nos diálogos do que propriamente nas ações. Aqui, o espelho nem sempre reflete a verdadeira imagem.

Cineweb-9/8/2002

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