Em São Paulo Companhia de Dança, o documentarista Evaldo Mocarzel, conhecido por documentários nos quais impera o formato de entrevista, subverte sua regra ao colocar os bailarinos do grupo paulistano dançando e se preparando, sem dar depoimentos. As poucas falas do filme são gravações de diálogos da trupe de forma quase ocasional.
A primeira exibição do longa ocorreu no Festival de Paulínia de 2010, no qual o diretor defendeu a fórmula usada, alegando que a montagem foi feita em cima de cortes falsos com o objetivo de desconstruir a montagem da primeira criação coreográfica da trupe, “Polígono”, de Alessio Silvestrin, em 2008.
Mocarzel tenta, com sua câmera, mostrar a poesia que há na criação, no trabalho duro dos bailarinos, longe do glamour do palco diante da plateia. É preciso, em primeiro lugar, gostar de balé, e, também, ter boa vontade para embarcar naquilo que o cineasta chama de desconstrução, pois o que se vê na tela é o espetáculo na sua forma bruta, em seus ensaios exaustivos, quando os movimentos parecem não estar totalmente decididos.
Dessa forma, São Paulo Companhia de Dança mais parece um filme institucional, atendo-se aos bastidores de artistas bem comportados criando o seu trabalho. E é apenas assim que os vemos – como artistas. Não se dá aos espectadores a oportunidade de acompanhá-los fora do ambiente de trabalho, o que os transforma praticamente em bailarinos em tempo integral.
