04/06/2026
Documentário

Mulheres africanas - a rede invisível

Cinco personalidades femininas africanas são entrevistadas neste documentário que procura levantar avanços e necessidades da condição da mulher no continente: as políticas moçambicanas Graça Machel e Luisa Diogo, a escritora sul-africana Nadine Gordimer, a militante pacifista liberiana Leymah Gbowee e a empresária tanzaniana Sara Masasi.

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Com o objetivo de celebrar a atuação das mulheres na África, o documentário do brasileiro Carlos Nascimbeni é bastante feliz na escolha de suas protagonistas – todas elas, pessoas que seriam motivo de orgulho para qualquer país do mundo.
 
São elas: Graça Machel, ex-ministra da Educação de Moçambique e sra. Nelson Mandela; Luisa Diogo, ex-primeira ministra moçambicana; Nadine Gordimer, escritora sul-africana de 89 anos, Prêmio Nobel de Literatura em 1991; a liberiana Leymah Gbowee, Prêmio Nobel da Paz 2011; e Sara Masasi, empresária da Tanzânia.
 
Apesar da notória biografia de todas, o que emerge de seus relatos é, mais do que a intenção de assinalar os espaços já ocupados pelas mulheres no continente africano, tanto na economia quanto na gestação da paz, traçar o muito que há para ser feito – caso da educação feminina.
 
Com notável sabedoria e conhecimento de causa, Graça Machel lembra o quanto a cultura ancestral, em seu país como em outros do continente, ainda tira da escola tantas meninas na idade de 9 ou 10 anos, quando atingem a puberdade – porque é nessa fase que devem submeter-se a ritos tradicionais e, não raro, são mantidas em casa até que se consumem casamentos muito precoces, especialmente na zona rural.
 
Por outro lado, em Moçambique o comércio está nas mãos das mulheres, comandando uma economia subterrânea, à margem da regulamentação e também das estatísticas. Na muçulmana Tanzânia, por sua vez, antigos preceitos da religião ou da cultura não impediram o sucesso de Sara Masasi, empresária altamente respeitada e próspera, que construiu sua riqueza a partir de um bem-sucedido negócio de placas de automóveis.
 
A mais carismática é a liberiana Leymah Gbowee, que relembra a importância das mulheres para acabar com a sangrenta guerra civil em seu país, que durou entre 1989 e 2003. Empenhando-se pessoalmente em reintroduzir os homens, inclusive os que tinham praticado mortes, nas regiões onde eles moravam, as mulheres tomaram a frente de uma reconciliação difícil, mas necessária para a reconstrução do país.
 
Correndo o risco de ser didático – ainda mais recorrendo a uma narração, ainda que da esplêndida atriz brasileira Zezé Motta -, o documentário sustenta-se por conta da personalidade vibrante de suas entrevistadas. Nada mau para celebrar mais um dia 8 de março.
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