04/06/2026
Comédia romântica Comédia dramática

Amor é tudo o que você precisa

Saindo de um câncer, Ida tem o desgosto de surpreender o marido com outra mulher. No meio de sua crise matrimonial, ela tem que ir à Itália, onde sua filha vai se casar. O futuro sogro da filha, o empresário viúvo Philip, começa a interessar-se por Ida. Outros imbroglios envolvem também os noivinhos.

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Não faltam clichês ao longo de Amor é tudo o que você precisa – a começar pelo título e pela ambientação na Itália, na bela região de Sorrento. A boa surpresa, no entanto, é que a diretora dinamarquesa Susanne Bier e seu roteirista habitual, Anders Thomas Jensen, se apropriam das convenções do gênero romântico não raro subvertendo várias delas, o que leva a história a tornar-se mais adulta do que a embalagem promete.
 
A protagonista, a cabeleireira Ida (Trine Dyrholm), vive um momento delicado. Acaba de concluir o tratamento de um câncer do seio e precisa manter-se vigilante sobre possíveis recaídas. Bem neste momento delicado, pega o marido, Leif (Kim Bodnia), em flagrante com uma colega mais jovem, Tilde (Christiane Schaumberg Mueller).
 
A filha do casal, Astrid (Molly Blixt Egelind), está de casamento marcado com Patrick (Sebastian Jessen). A cerimônia vai acontecer na velha casa da família do noivo, na Itália, há muito abandonada desde a morte de sua mãe.
 
Nervosa com a viagem e a crise marital, Ida bate o carro no aeroporto – no outro carro, está Philip (Pierce Brosnan), o pai de seu futuro genro.
 
Começa mal este relacionamento que tantas viradas vai sofrer na bela casa à beira-mar, na costa amalfitana, em que se prepara o casamento de Astrid e Patrick. Em seus largos corredores, correrão muitas intrigas e malentendidos, vários deles provocados por Benedikte (Paprika Steen), a cunhada assanhada de Philip, e outros convidados.
 
Atriz de Em um mundo melhor, que deu o Oscar de filme estrangeiro a Susanne Bier em 2011, Trine Dyrholm desdobra com sensibilidade as nuances de sua personagem, num momento de transformação em que ela nunca se nega a assumir suas dúvidas e contradições – o que a torna bela e profundamente humana. É raro ver personagens femininas com esta complexidade, ainda mais num filme romântico que não se pretende dramático demais.
 
Deixando de lado sua persona cool de filmes de ação, o ex-007 Pierce Brosnan despoja-se para encarnar um homem que endureceu diante de uma grande dor – mas que está louquinho para abrir seu coração mais uma vez.
Mais surpreendente, mais corajoso até, é o que o roteiro reserva ao casal jovem, Astrid e Sebastian – nutrindo o filme de um enraizamento realista até certo ponto inesperado.
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