Aqui, Jean-Pierre Léaud não lembra, em nada, o belo rapazote dos tempos do personagem Antoine Doinel, dos filmes de François Truffaut, ao encarnar Jacques Laurent, um diretor de filmes pornográficos dos anos 70, que retorna à antiga atividade por questões financeiras. De volta aos sets de filmagens, Laurent não consegue mais encarar a vulgaridade dos filmes cujo único objetivo é a simples exposição de órgãos sexuais.
Enquanto Laurent procura uma forma para redirecionar a vida, seu filho Joseph (Jérémie Rénier) busca encontrar um sentido para a própria. Separados anos antes, quando o jovem se revoltou contra a imoralidade do verdadeiro trabalho do pai, eles se reencontram, agora mais maduros, para tentar resolver seus desafetos anteriores.
Apesar das polêmicas cenas de sexo explícito, capazes de deixar até o protagonista da trama constrangido, são os cortes bruscos e os diálogos ácidos os responsáveis pela sensação atordoante que rege toda a fita. Esse caráter é catalisado pela letárgica evolução do filme, que só apresenta o outro pilar da história, o jovem Joseph, depois de decorridos cerca de trinta minutos.
Outros dados da trama também são apresentados em doses homeopáticas, mas com a eficácia de um comprimido instantâneo. Em uma das cenas, Laurent olha para um prédio, durante um diálogo aparentemente banal, e diz a Joseph: "Foi daí que sua mãe pulou". O inusitado provém do fato de, até então, a figura materna não haver sido cogitada. Essas frases secas e cruas fazem da digestão do filme uma tarefa bastante árdua.
