10/07/2026
Documentário

Paulo Moura - Alma Brasileira

Nascido em S. José do Rio Preto, em 1932, Paulo Moura mudou-se com a família para o Rio. Estudou música clássica, fez parte de orquestras e traçou uma trajetória em que enveredou também pela música popular, tornando-se um dos mais completos músicos, arranjadores e compositores brasileiros.

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Paulo Moura – Alma Brasileira, de Eduardo Escorel, é um documentário atravessado por um legítimo desejo de resgate, no caso, da vida mas muito mais da obra do clarinetista, saxofonista, compositor e arranjador paulista Paulo Moura (1932- 2010). Mas é, também, um trabalho que sobrevive lindamente ao desafio de ter que encarar a morte de seu protagonista como um desafio bem no seu início.
 
O projeto existia desde 2008, mas as habituais dificuldades de financiamento adiaram as filmagens até 2010, quando o músico morreu de um linfoma. Montador experiente e diretor versado em documentários políticos, como O Tempo e o Lugar (2008), Escorel até pensou em desistir. Felizmente, encontrou caminhos criativos para perseverar, resultando numa obra que serve de justa homenagem a um artista extremamente versátil, que não distinguia limites entre o erudito e o popular e, não raro modesto, atravessou bem mais fronteiras do que boa parte do público supõe.
 
Algumas imagens tornaram-se inacessíveis – como as de um último sarau promovido pelo músico, filmadas por Escorel, no hospital, cuja utilização a viúva de Moura, Halina Grynberg, não autorizou. O documentarista, no entanto, compensa a ausência com inúmeras outras gravações, algumas inéditas, obtidas em diversas fontes, que permitem assinalar com bastante propriedade a trajetória do músico.
 
Embora não se pretenda uma biografia lato sensu, compromissada com uma cronologia estrita, Paulo Moura - Alma Brasileira vale-se sobretudo da música composta e executada pelo artista para delinear sua estatura, que lhe valeu um Grammy em 2000 e uma nova indicação, em 2008.
 
Algumas dessas imagens mostram a impressionante internacionalização de Moura, visto em festivais tão diferentes como Lagos, Berlim, Montreux e Telaviv, e também em parcerias ao vivo, com colegas como o violonista Yamandu Costa.
 
Não falta a antológica participação do músico na célebre noite de lançamento da Bossa Nova no Carnegie Hall, em novembro de 1962, a convite de Sergio Mendes, ao lado de Tom Jobim, João Gilberto e tantos outros. Uma ocasião em que a presença de Moura é, não raro, esquecida.
 
Um excelente depoimento de voz do próprio personagem permite situar melhor sua consciência política e social, como quando comenta a surpresa do golpe de 1964 e também declara sua ojeriza a críticos que policiavam a brasilidade, citando nominalmente o ortodoxo José Ramos Tinhorão. Também é bem-vinda a sua lembrança de, quando bem jovem, ter tocado em dois bailes ao lado de ninguém menos do que o mestre Pixinguinha.
 
Tal como ocorreu, ainda que de maneira mais exclusiva, no documentário A música segundo Tom Jobim, de Nelson Pereira dos Santos e Dora Jobim, essa opção preferencial pela música em detrimento dos depoimentos mostra-se acertada para o recado que o documentário quer passar. Ao final da projeção, não há como deixar de constatar o quanto Paulo Moura foi um artista muito maior do que a maioria de nós tinha notado. 
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