05/07/2026
Documentário

Olhe para mim de novo

Em suas próprias palavras, Syllvio Luccio nasceu mulher, foi lésbica e hoje é homem. Esse documentário acompanha sua jornada em busca de um médico que aceite ajudar seus planos de inseminação artificial, para que ele e sua mulher possam ter um filho. Pelo caminho, no sertão do Nordeste, ele cruza com pessoas que sofrem diversos tipos de preconceito.

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O acerto de Olhe para mim de novo, documentário do casal Claudia Priscilla (Leite e Ferro) e Kiko Goifman (Filmefobia), é deixar seu entrevistado, Sillvyo Luccio, falar à vontade. Ele – que, em suas palavras, ‘nasceu mulher, foi lésbica e agora é homem’ – é uma figura carismática e articulada, cheia de histórias interessantes.
 
O documentário – que foi exibido no Festival de Gramado em 2011 – começa com ele e sua mulher contando sobre o desejo de ter um bebê, e ele apresenta sua ideia mirabolante: combinar genes seus e de sua mulher num único óvulo que seria inseminado artificialmente. Com isso na cabeça, Sillvyo parte numa jornada por diversas cidades do nordeste brasileiro, onde conhece médicos e pessoas que sofrem algum tipo de preconceito.
 
A opção por transformar Olhe para mim de novo num road movie nem sempre funciona, e, às vezes, parece forçada. Sillvyo encontra pelo caminho homossexuais, uma mãe e uma filha albinas, pessoas com uma síndrome que deforma a aparência e uma mulher que descobriu que não é mãe biológica de seu filho de 30 anos. Encontrar paralelos desses dramas com a história do protagonista não é simples, e, nem sempre, orgânico. Ainda assim, há um olhar de curiosidade e respeito dos diretores do material humano que o filme tem a lhes oferecer – e nisso reside boa parte das qualidades de Olhe para mim de novo.
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