21/07/2026
Comédia

O Triunfo do Amor

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Investiu na alta cultura e no filme de época com tempero moderninho esta co-produção ítalo-britânica, que concorreu na seção oficial do Festival de Veneza/2001 e veio assinada pela diretora inglesa Clare Peploe - roteirista, produtora, mulher e parceira profissional do italiano Bernardo Bertolucci em filmes como o belíssimo Assédio.

O enredo aqui adapta a peça Le Triomphe de l'Amour do autor francês Marivaux, escrita em 1732, e traz a atriz americana Mira Sorvino no papel principal, como a princesa Leonide, que decide ocultar sua verdadeira identidade e vestir-se como homem a fim de conquistar um belo jovem, Agis (Jay Rodan). O esquema romântico complicado esconde um desejo de justiça. O pai de Leonide usurpou, há alguns anos, o trono legítimo de Agis, que foi criado pelo filósofo racionalista Ermócrates (Ben Kingsley) e sua irmã, Leontine (Fiona Shaw, que o público conhece mais como a malvada tia Petúnia de Harry Potter). Com um belo texto, fotografia e cenários primorosos e atores em forma, o filme é encantador, oferecendo uma diversão com um toque de refinamento que não é muito comum encontrar nas grandes produções.

Mesmo visando a comédia, alinhavando diversos malentendidos de fundo sexual, ironias e jogos de aparências nesta confusão de papéis masculinos e femininos, o enredo não esconde suas referências ao iluminismo, até pelo contexto histórico do texto original. Nada mais oportuno numa época como a atual, atormentada pelos rigores do absolutismo de mercado, onde se sente mesmo a absoluta necessidade de um novo iluminismo, uma nova idade da razão - como a do século XVIII em que Marivaux escreveu seu texto - que não despreze a energia, muitas vezes anárquica, dos sentimentos humanos. O tipo de síntese que pelo menos a arte, numa história como esta, mostra que é possível atingir.

Cineweb-15/11/2002

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