Em meio à paisagem árida da caatinga nordestina, o sitiante Olegário (Matheus Nachtergaele, atualmente na novela Saramandaia) sai em busca de trocar os únicos animais que possui, duas cabrinhas, por alimentos na cidade. Único humano em cena, esse protagonista torna-se um modesto herói, já que em sua trajetória se encerra a representação de um homem de seu tempo lidando com seus desafios.
No filme dirigido e roteirizado por Wagner Miranda e Marcos Carvalho, a coragem reside no retrato cru, mas não desprovido de certa ternura, dessa figura em uma jornada solitária, espreitada por um urubu à espera de que ele, suas cabras e o burrinho que o leva, sucumbam. Outros perigos espreitam, cobras, uma onça, falta d’água, entre eles.
Ao longo do caminho, o protagonista perde elementos que o compõem e se transforma. Conseguir ou não trocar os bichos pela comida, no final, seria apenas um detalhe, se disto não dependesse sua sobrevivência.
O clima documental ganha força pela atuação despojada de Nachtergaele. Ao mesmo tempo, a excelente trilha sonora, assinada por Elomar, Geraldo Azevedo e grupo Matingueiros, é fundamental na construção do clima do longa, que parece mimetizar a secura da região que retrata.
