Drama de época sobre questões raciais travestido de romance telenovelístico, O inventor de sonhos é um filme repleto de excessos e nenhuma justificativa ou qualidade redentora – nem a boa vontade em mencionar o preconceito racial salva o filme de, na melhor das hipótese, de sua ingenuidade.
Cinema, por natureza, é a arte da imagem, portanto, não faz muito sentido um filme inteiramente narrado. Aqui, o protagonista é José Trazimundo (Ícaro Silva, na fase adulta), filho de uma escrava com um francês. Nascido livre e criado por um índio (Roberto Bonfim), o garoto vive de pequenos expedientes, levando e trazendo recados ou afins. Com a chegada da Corte Portuguesa no Brasil, torna-se amigo de Luis Bernardo (mais tarde interpretado por Miguel Thiré), menino de sua idade e filho de um membro da Corte. Mais tarde, quando adultos, se envolvem na disputa pelo amor de Iainha (Sheron Menezzes), escrava por quem Trazimundo é apaixonado desde pequeno.
Dirigido pelo estreante Ricardo Nauenberg – que escreveu o roteiro com colaboração de Adriana Falcão -, O inventor de sonhos é um filme de excessos: excesso de personagens e subtramas, excesso de narração em off, excesso de efeitos especiais para reconstruir o Rio da época, que faz tudo parecer artificial.
Atores veteranos, do porte de Sergio Mamberti, Ricardo Blat e Stenio Garcia, se esforçam mas o material que têm em mãos não ajuda. Destino pior tem Letícia Spiller, no papel de uma cortesã francesa, que participa de duas cenas sem abrir a boca e chora ao ver Dom Pedro (Fernando Alves Pinto) se casando na Igreja.
Previsto para ser lançado em 2008 – marcando os 200 anos da chegada da Corte Portuguesa no Brasil –, o longa levou 5 anos para chegar aos cinemas.
