O caminho desses dois obcecados personagens vai se cruzar pelas mãos do diretor Darren Aronofsky em seu filme de estréia, lançado em 1998, feito com apenas US$ 20 mil, mas que só agora chega ao Brasil, depois de sucessivos adiamentos. Se Réquiem para um Sonho, o segundo filme do jovem e talentoso diretor, que desembarcou aqui na frente, já era uma obra difícil por sua crua abordagem sobre o mundo das drogas, Pi tem uma missão igualmente ingrata: atrair o espectador para uma história ainda mais árdua, quase uma equação matemática. As imagens são sujas, em preto-e-branco, feitas com uma câmera na mão, e causam desconforto ao espectador.
Por coincidência, Max Cohen vai conviver por algum tempo nas salas de cinema com o também matemático John Forbes Nash , biografado em Uma Mente Brilhante, o grande ganhador do Oscar 2002. Também por obra do acaso, os dois personagens sofrem de alguma forma de desequilibrio mental que parece ser a maldição que, pelo menos no cinema, ronda os apaixonados pela matemática.
Mas as semelhanças param aí. No mundo de Max só existem os números e sua rotina diária consiste em alimentar o computador que ele próprio montou, batizado de Euclides, com as equações que desenvolve para desvendar o mistério do PI, o caracter grego representado por um til sustentado por dois pilares. E ao iniciar sua busca ensandecida, acha que poderá também compreender a natureza, acreditando que ela segue sempre o mesmo princípio da repetição lógica dos números.
O fracasso de Max Cohen é constante e as equações que propõe ao computador chegam a literalmente fritar os chips da máquina, que não consegue passar incólume pelas tarefas encomendadas por seu programador. Max sofre de fortes enxaquecas que o obrigam a consumir doses cada vez mais elevadas de medicamentos.
Casualmente, Max encontra Lenny num café e o interesse do religioso ortodoxo pelas teorias do matemático levam a uma aproximação. Lenny acredita que a fórmula numérica que ambos perseguem é a mesma.
Max também passa a ser assediado por uma misteriosa mulher que se dispõe a fornecer-lhe gratuitamente um super-chip que lhe permitirá concluir suas pesquisas. Mas ele não é capaz de prever que essa ajuda não é isenta de segundas intenções. Lenny também espera obter alguma coisa do matemático e passará a persegui-lo como fazem todos os fanáticos.
Cada vez mais pressionado pelos fracassos e pelo assédio dos que o procuram para tirar proveito de seu trabalho, a Max só resta tentar conectar o próprio cérebro ao computador.
Cineweb-5/3/2002
