Co-diretor do premiado Uma Noite em 67, Renato Terra investe, em seu novo documentário, numa divertida investigação sobre uma das rivalidades mais antigas e acirradas entre torcidas de futebol no Brasil – no caso, entre Flamengo e Fluminense.
Se não faltam informações históricas – como a de que o famoso clássico, o Fla x Flu, já completou 50 anos (é de 1963, nessa primeira etapa, vencido pelo Flamengo) - deixa-se de lado a pompa e a circunstância a partir do recurso do diretor de entrevistar torcedores, famosos ou não, envergando a camisa do time contrário ao deles. Uma provocação que gera reações que vão do espanto à indignação, dando dinamismo ao filme.
Jogadores famosos, como Zico, Romário, Leandro, Junior, Assis, dão sua contribuição para revelar um pouco da mística por trás de comportamentos de torcedores que ultrapassam a imaginação – como o caso de um que foi enterrar a mãe depois de um jogo (afinal, segundo ele, “ela já tinha partido”) ou de outro que perdeu o próprio casamento na igreja pelo mesmo motivo. Não faltam relatos de superstições, como mudar o terço de mão durante um clássico particularmente disputado.
Gols emblemáticos – como o gol feito com a barriga por Renato Gaúcho em 1995, vestindo a camisa do Fluminense – completam a crônica, que parte de uma polêmica envolvendo a origem do Flamengo. Diz-se que o time rubro-negro teria surgido de dissidentes do Fluminense que foram para este clube, que começou destacando-se no remo e terminou com o “urubu” flamenguista dando baile também no campo. Pode estar aí, segundo os flamenguistas, a origem de uma velha maldição, que fez o tricolor cair duas vezes para a segunda divisão e até uma para a terceira divisão, no final dos anos 1990.
É o tipo do duelo que nunca vai terminar. Aí é que está a graça.
