04/06/2026
Drama

Crônica do fim do mundo

Há 20 anos, o professor universitário aposentado Pablo Bernal recusa-se a sair de casa, desde a morte de sua mulher. Seu único filho, Felipe, o visita e lhe traz tudo o que precisa. Os dois homens vivem suas crises, perto do Natal de 2012, quando uma profecia maia anuncia que o fim do mundo virá logo.

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Raridade do cinema colombiano em telas brasileiras, o drama Crônica do Fim do Mundo, de Mauricio Cuervo, equilibra-se com dificuldade sobre um tema difícil – a suposta iminência do fim do mundo segundo a profecia maia, em dezembro de 2012 – e o esforço guerrilheiro de uma produção com poucos recursos.
 
Rodado em apenas 8 dias, em cenários que são as próprias casas dos atores, alguns filmando em folgas de seus compromissos em novelas e sem cobrar cachê, o filme se ressente desse sufoco. A urgência, no caso, não serviu ao tema, que deveria ser mais bem burilado e aprofundado, e deixa entrever as naturais inseguranças de um diretor estreante.
 
Um grande problema é a falta de empatia do protagonista, o professor universitário aposentado Pablo Bernal (Victor Hugo Morant). Homem de 70 anos, ele não sai de casa há 20, desde a morte da esposa num atentado em Bogotá. A suposta aproximação do fim do mundo, que se daria no Natal de 2012, inspira-lhe uma ideia singular: telefonar a todas as pessoas que, de algum modo, o prejudicaram, fazendo um acerto de contas verbal com cada uma delas.
 
Esse ser raivoso e solitário tem como única ligação com o mundo exterior seu único filho, Felipe (Jimmy Vasquez).
Aos 35 anos, ele está no limiar de uma maturidade complicada: sua firma não consegue um contrato importante, ele acaba de ter o primeiro filho, Ángel (Ángel Vásquez Aguirre), e vive uma crise no casamento com Claudia (Claudia Aguirre). Pablo visita frequentemente o pai, levando-lhe comida e filmando, no celular, as ruas da cidade que ele se recusa a visitar.
 
Faz parte dessa galeria de homens confusos e mal-resolvidos ainda Ramiro (Juan Carlos Ortega), melhor amigo de Pablo, que foi abandonado pela mulher e agora quer, de qualquer jeito, emprestar dinheiro para dar a ela uma amalucada prova de seu grande amor que a faça voltar.
 
Para funcionar, o filme precisaria de maior naturalidade e sutileza. Mas falta carisma aos principais personagens, como o velho Pablo, que tem uma remotíssima semelhança com o juiz bisbilhoteiro (Jean-Louis Trintignant) de A Fraternidade é Vermelha, de Krzysztof Kieslowski (1994) - cuja lembrança, aliás, só torna mais evidente a fragilidade desta construção dramática, em comparação com aquela obra-prima de 20 anos atrás. 
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