04/06/2026
Ação

300: A ascensão do império

Enquanto o espartano Leônidas segura, com seus poucos valentes, os imensos exércitos persas no estreito de Termópilas, uma outra frente de batalha se desenrola no estreito de Artemísio, envolvendo o general ateniense Temístocles e as tropas persas comandados pela guerreira Artemísia e o rei Xerxes - mostrando como ele se tornou um temível deus-rei. Estreia prevista para 7 de março.

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Sequência do sucesso 300 (2006), a aventura histórica 300: A Ascensão do Império foi projetada para impactar fãs de graphic novels, como aquela de Frank Miller que deu origem à saga, e videogames – a outra lucrativa plataforma deste tipo de filme. Muito mais do que uma aventura de ação pura e simples, a superprodução consagra a nova fase em que o gênero molda seus atores até fisicamente sob medida para caber no seu modelo de herois.
 
Nada mais, portanto, de procurar astros fortões já prontos, como os velhos ídolos do passado, na linha Arnold Schwarzenegger ou Jean-Claude van Damme. Agora, os atores deste tipo de filme têm, cada vez mais, de adequar-se a um rígido programa de treinamento físico, que garantem a vantagem de praticamente descartar a necessidade de dublês em cenas mais exigentes. Ainda que, a rigor, num filme como 300: A Ascensão do Império os efeitos especiais estejam muito em primeiro plano, também para de algum modo justificar o 3D que infla os preços dos ingressos.
 
Mais uma vez como o rei persa Xerxes no elenco da aventura, que volta um pouco ao passado dos acontecimentos de 300, o brasileiro Rodrigo Santoro desta vez aparece pelo menos no início com seu próprio visual e sua voz. Aí se explicam um pouco as razões de sua transformação em deus-rei, causa de seu esdrúxulo visual de destaque de escola de samba, dotado de uma voz estranha e digitalmente alterada. Nada que valorize, enfim, o bom e belo ator que ele é.
 
Os protagonistas da ação, no entanto, são realmente a estrategista e maquiavélica Artemísia (Eva Green), mentora de Xerxes, e, do outro lado, o general ateniense Temístocles (Sullivan Stapleton). Será ele o responsável pela continuidade da batalha grega para superar os invasores persas, depois da derrota do rei espartano Leônidas (Gerard Butler) e seus valentes 300 soldados no estreito das Termópilas, tema do primeiro filme. Pena que Sullivan Stapleton não tenha o mesmo carisma de Butler.
 
Negando o realismo estrito em favor do visual de videogame, com direito a muitas câmeras lentas para valorizar detalhes do massacre, 300: A Ascensão do Império aproxima-se, muitas vezes, de uma celebração da selvageria da guerra, excetuada a tórrida tentativa de sedução de Temístocles por Artemísia, que não deixa de remeter também a uma luta.
 
Assim fazendo, o filme de Noam Murro, co-roteirizado por Gary Snider, diretor de 300, não deixa de prestar um desserviço histórico aos gregos da época, que apesar de sua inegável valentia, deveram à sua estratégia superior a derrota dos persas, muito superiores numericamente, na batalha de Salamina. Ou seja, afinal, foi seu cérebro que derrotou o muque dos invasores.
 
Não deixa de ser interessante que duas mulheres, Artemísia e Gorgo (Lena Headey), a rainha viúva de Esparta, tenham proeminência na história, ambas como bravas guerreiras movidas pela vingança. Pena que Artemísia, especialmente, seja desprovida de nuances, dentro da mais pura visão unilateral de personagem de quadrinhos, o que a aprisiona numa visão um tanto maniqueísta que, de resto, enfraquece todo o conceito do filme.
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