Anos depois, o bebê se torna o ladrão Peter Lake (Colin Farrell), que foge de seu ex-patrão, e agora algoz, Pearly Soames (Russell Crowe). Como se entende desde o começo, Pearly não é apenas o chefe de uma gangue local, mas também um demônio, que caça Peter por renegar as trevas.
Como deve fugir da cidade, o rapaz decide fazer um último roubo, na casa do milionário Isaac Penn (William Hurt), uma fortaleza em Upper West Side, onde espera encontrar dinheiro suficiente para se manter. No entanto, durante a empreitada, Peter encontra a jovem Beverly, que fora deixada sozinha na mansão, mesmo sendo doente terminal.
Apesar de armado, Beverly não sente medo de seu assaltante e acredita piamente que, de acordo com as regras de seu destino, há motivos além do dinheiro para ele estar ali. A paixão entre ambos é imediata e, como diz o livro: “...Ele foi até onde ela estava como se tivesse nascido para aquilo”.
Porém, extraordinariamente, Peter passa a ser imortal e a trama salta adiante quase um século. Agora, ele precisa entender qual é realmente sua missão na Terra e, finalmente, encontrar seu destino. Sem saber que Pearly também está vivo e à espreita para acertar suas próprias contas.
Como se vê, “Um Conto do Destino”é uma história de amor que vence o mal e o tempo, na mesma medida em que se rende à fantasia com anjos e demônios e um cavalo alado amigo do protagonista. Com uma adaptação um tanto solta do livro, já que não é possível colocar toda a volumosa história de Helprin no roteiro, a produção quebra sua própria narrativa para ajeitar o desfecho, corrido e um tanto desconexo (como a breve participação de Jennifer Connelly).
Com o excesso de melodrama, não há qualquer espaço para o humor, o que obriga Colin Farrell a se manter trágico quase todo o filme, algo a que o ator não parece entregar-se com naturalidade. Por outro lado, a dureza e agressividade de Pearly, que cairiam facilmente a Russell Crowe, perdem-se na desnecessária caracterização do personagem, com efeitos especiais que o tornam demoníaco e os diálogos exagerados, que levam a risos involuntários.
Uma boa definição para Um Conto do Destino se encontra na capa do livro, editada com o pôster do filme: “Esta não é uma história real. Este é um amor real”. Ou seja, uma produção exclusiva para quem o busca o amor na sala de cinema, sem se importar com o modo como a história é contada.
