18/07/2026
Romance Drama

Hoje eu quero voltar sozinho

Leo é um adolescente cego. Sua melhor amiga é Giovana, que o ajuda em algumas coisas – embora ele seja bastante independente. A chegada de um novo garoto na escola, Gabriel, muda a amizade entre os dois.

post-ex_7
Leo (Guilherme Lobo) é um adolescente – e, como tal, está descobrindo o mundo e a si mesmo. O fato de ser cego poderia ser uma complicação, mas com isso ele já está acostumado, lidando bastante bem com suas limitações. Sua melhor amiga é Giovana (Tess Amorim), com quem convive há anos e o ajuda em qualquer dificuldade. Mas a chegada de um novo garoto na escola, Gabriel (Fabio Audi), muda tudo na vida dos dois – especialmente os sentimentos.
 
Hoje eu quero voltar sozinho faz uma crônica da dinâmica entre esses três jovens em busca de seu lugar no mundo e a compreensão de seus sentimentos. Escrito e dirigido por Daniel Ribeiro, o longa parte de seu curta Eu não quero voltar sozinho (que está disponível na internet), premiado em diversos festivais, entre eles Paulínia, Mix Brasil e Aruanda. Já o longa estreou no Festival de Berlim, de onde saiu com o Fipresci (Prêmio da Crítica Internacional) e o Teddy Bear (que premia filmes com temática ou personagens LGBT).
 
O roteiro traça uma observação profunda e delicada do processo de amadurecimento desses jovens, acompanhando-os em suas dores e alegrias de ser o que são. As vidas de Leo e Giovana mudam com a chegada de Gabriel, abalando suas certezas e expectativas. No fundo, esse é um filme de encontro, em que cada um dos jovens se encontram consigo mesmos para só então poderem cogitar se entregar a outras pessoas.
 
Ribeiro tem um olhar perspicaz – especialmente dentro do ambiente escolar, onde constrói personagens extremamente críveis, gente de carne e osso e não meras marionetes com função narrativa dentro do filme. Na casa de Leo, há a mãe (Laura Romano), que alguns rapidamente chamariam de super-protetora, o pai (Eucir de Souza), que tenta respeitar a individualidade do filho, e também a avó (Selma Egrei), a confidente de Leo. Esses personagens só contribuem à gama de verdade que está impressa no filme.
 
Há um amadurecimento do curta para o longa – não apenas na expansão da narrativa e dos temas, como personagens e até mesmo a direção. Ribeiro tem segurança na condução das cenas e caminha confortável no limite entre o emotivo e o piegas, sem nunca pender para o segundo. Mas quem mais amadurece é o trio de atores centrais – não apenas estão maiores fisicamente, como mais conhecedores de seus personagens.
 
Hoje eu quero voltar sozinho é um caso raro no cinema brasileiro – seja por sua temática ou sua abordagem intimista. A descoberta da sexualidade e de si mesmo na adolescência é algo tão complexo como fácil de cair nos clichês. Entretanto, o diretor evita as armadilhas, deixando que os personagens mostrem suas histórias, ao invés de que elas sejam contadas. Assim, faz um filme complexo em sua essência e simples em sua forma – uma equação que poucos diretores conseguem resolver tão eficientemente.
post