03/06/2026
Documentário

Sementes do nosso quintal

Nesse documentário é mostrado o cotidiano de uma escola infantil de elite de São Paulo, cuja pedagogia privilegia as experiências da primeira infância.

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“Vamos escutar o barulho da beterraba”, diz uma moça para um grupo de crianças em idade pré-escolar ao redor de uma mesa repleta de vegetais. Quantas vezes alguém imaginaria ouvir isso num documentário? Enfim, entre berros e choros infantis, barulho da beterraba e reuniões entre pais e mestres é o que se escuta no documentário nacional Sementes do nosso quintal, uma espécie de vídeo institucional, mais apropriado para ser exibido em escolas de ensino básico ou canal educativo do que num cinema.
O filme traz o cotidiano de uma escola paulistana que aplica métodos diferentes dos tradicionais. A direção do longa é da estreante Fernanda Heinz, ex-aluna da escola, o que, de certa forma, deve explicar sua paixão pelo local, mas não o filme. O estabelecimento é conduzido, a julgar pelo documentário, com delicadeza, pulso firme e perspicácia por Thereza Soares Pagani, uma educadora capixaba, que fundou a escola há quase 40 anos.
Tudo o que a escola faz, ao menos, novamente, segundo o filme e textos na internet, parece louvável e uma experiência de ponta, que valoriza a primeira infância, mas é difícil entender como tudo isso seja capaz de gerar um documentário de quase duas horas sobre o cotidiano de crianças que não conhecemos. Qual o interesse em saber que as crianças correm atrás de um ganso?
Sementes do nosso quintal é um filme institucional, uma propaganda para a classe média que frequenta cinema saber de mais um local onde matricular seus filhos no próximo ano. Ou uma prova para os pais de alunos matriculados de que eles (os pais, que, às vezes, aparecem em cena fotografando, filmando ou conversando sobre as crianças) estão fazendo a coisa certa com seus filhos, provavelmente, as sementes a que o título se refere..
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