No entanto, o que eles não imaginam é que por trás da bondade e simpatia de Sy, esconde-se um homem atormentado pela solidão e baixa auto-estima. Sem qualquer apoio emocional, torna-se obcecado em pertencer à família Yorkin. E não apenas como um grande amigo, mas um parente amado. Custe, claro, o que custar.
Esse é o enredo do fraco thriller Retratos de uma Obsessão, dirigido e escrito por Mark Romanek. Mais conhecido por seus clipes musicais (R.E.M., Lenny Kravitz, David Bowie, Michael Jackson, entre outros) e documentários como o Na Cama com Madonna (1990), do que como um diretor de longas, Romanek deixa sua marca visual. Porém, a pobreza de roteiro não salva a produção.
Tecnicamente, a fotografia é muito bem trabalhada. Explora-se o tom cinza da vida de Sy, fria, vazia e incolor, em contraste com as fotografias alegres e cheias de vida da família Yorkin. Tal como a seleção de músicas, cuja presença não é apenas necessária em certas cenas do filme, mas é inseparável do resultado final do que é mostrado.
O bom termina aí. Embora o filme se afaste dos clichês que dominam esse gênero, o desenrolar da história empalidece tal qual a vida de Sy. Mais decepcionante ainda é a forma como é tratado o conflito emocional do personagem principal. Sua obsessão é mal trabalhada por Romanek, que joga ao espectador cenas desconexas para justificar o tormento psicológico do protagonista.
Aliás, as interpretações do filme também não são para se jogar confetes. Robin Williams pode ser um comediante genial, e seus primeiros passos no mundo dos vilões, como em seu papel no recente Insônia, podem ter sido positivos, mas como Sy não convence. De maneira geral, os personagens são mal explorados. Até mesmo a encantadora atriz Connie Nielsen (mamãe Yorkin), bem diferente do que ocorre em sua performance em Gladiador (2000), fica apagada na trama. Os demais enveredam pelos mesmos caminhos, para infelicidade dos espectadores.
Cineweb-6/9/2002
