04/06/2026
Documentário

Tarja Branca – A Revolução Que Faltava

Por meio de depoimentos de seus defensores, este documentário assinado pelos mesmos produtores do engajado “Muito Além do Peso” mostra a importância do ato de brincar para uma formação humana mais saudável.

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Não faltam explicações para que as brincadeiras sejam negligenciadas como parte fundamental da formação integral de crianças. Jogos eletrônicos, falta de tempo dos pais, currículo escolar que as esnoba, falta de espaços de lazer ou mesmo uma cultura que promove o desempenho em detrimento do espírito lúdico mostram que brincar parece estar em extinção.

A discussão pareceria ingênua caso não fosse séria, já que a prática amplia o universo de descobertas infantis, a sociabilidade, o desenvolvimento sensorial e motor, a cognição, administra o temperamento e estimula inclusive defesas imunológicas. Além de, claro, fazer a criançada feliz.

Esses são os pontos defendidos pelo documentário brasileiro Tarja Branca – A Revolução Que Faltava, do diretor Cacau Rhodem e dos mesmos produtores do engajado Muito Além do Peso (2012), sobre obesidade infantil. Uma produção que costura depoimentos de educadores, autores, pesquisadores, enfim, profissionais de alguma forma ligados ao lúdico para promover o ato de brincar.

Com uma estética vibrante e ágil montagem, Rhodem corre pelo país em busca de seus personagens, como José Simão, Domingos Montagner, Wandi Doratiotto, Helder Vasconcellos, Lydia Hortélio, além do músico Antonio Nóbrega. Na voz deles, a experiência de quem é mais feliz simplesmente porque nunca esqueceu a importância das brincadeiras.

Em busca de uma agenda positiva sobre o tema, o documentário não apresenta qualquer conflito.  Dividida em grandes pontos de reflexão, a narrativa situa o espectador na discussão e caminha até uma ode à cultura popular e seus brincantes, em ricas imagens captadas por Rhodem – que demonstra uma insuspeita e competente veia publicitária. Muito embora a ligação entre o início e o desfecho fique um pouco solta, o final demonstra o potencial das iniciativas populares de fazer adultos vivenciar uma segunda infância. 
 
Nos relatos do filme, destaca-se um do artista plástico Hélio Leites, que explica o título quando diz que brincar é um santo remédio e, sem contraindicação, pode ser considerado “tarja branca”, em referência aos medicamentos controlados. No entanto, mais do que uma prescrição, o documentário mostra que a brincadeira se trata mesmo é de uma revolução. 
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