O documentário Ozualdo Candeias e o Cinema é uma declaração de amor apaixonada e contagiante às duas figuras presentes no seu título. Dirigido e produzido por Eugênio Puppo, o longa faz uma jornada pela obra de Candeias, morto em 2007. Mas não é preciso ter qualquer intimidade com o assunto para aproveitar o filme: indicado para leigos e veteranos.
Ozualdo Candeias e o Cinema é uma viagem por meio século do cinema nacional – em especial o da Boca do Lixo, no centro de São Paulo, e principal polo de produção na década de 1970. Um de seus trabalhos mais importantes é seu longa de estreia A Margem (1967), do qual vem a expressão "cinema marginal". O documentário conta com imagens de longas de toda a carreira do cineasta, como A herança (1971) e As belas da Billings (1987), além de filmagens caseiras, da família de Candeias, de sua rua, seu bairro.
Aos poucos, a montagem, também assinada pelo diretor, faz um retrato, não apenas do biografado e do cinema nacional, mas do Brasil, a matéria-prima dos filmes do cineasta. Contextualizando o país e sua obra, está a própria voz do diretor em entrevistas ao longo dos anos. Com sua fala tranquila, parece estar conversando com um amigo (o espectador) a quem conta porque e como faz seus filmes.
Uma de suas obras mais bonitas, A Herança, é uma adaptação de Hamlet, situada no sertão e protagonizada por David Cardoso. Nele, o cineasta experimenta com o som,com resultado excepcional. A incompreensão parece ter decepcionado o cineasta, conforme seu comentário usado em Ozualdo Candeias e o Cinema. Esse é um dos momentos iluminadores do documentário de Puppo.
Puppo e sua equipe fizeram um trabalho de pesquisa notável, que não apenas resgata a trajetória de Candeias, como joga uma luz sobre a nossa produção cultural, iluminando assim um momento da história do país.
