Arte está ao centro do drama franco-americano Tudo acontece em Nova York, e como ela une e separa pessoas, ou como representa a realidade. Para tal, os diretores Ruben Amar e Lola Bessis valem-se de uma pequena família cuja vida sai do prumo com a chegada de uma artista francesa. Leeward (Dustin Guy Defa) é um músico bastante peculiar que faz o seu trabalho pela paixão, e não pelo dinheiro. Colocar um preço em sua música, para ele, seria se vender. Sua mulher, Mary (Brooke Bloom), é quem sustenta a casa trabalhando como enfermeira, enquanto o marido cuida da filha pequena (Olivia Durling Costello). E o casal vive numa crise tão séria que nem consegue escolher um nome para a menina – a mãe a chama de Maggie, e o pai, de Rainbow.
O que aumenta a tensão é a mania de Leeward de acolher pessoas perdidas pela cidade. Uma delas é Shiraz (Makeda Declet), e mais tarde, uma francesa, Lilas (interpretada pela codiretora, Lola Bessis). Como é uma artista, logo encontra pontos em comum com o músico, e começam a passar muito tempo juntos – para desespero de Mary.
Ao contrapor as personalidades do casal – Leeward: sonhador; Mary: pragmática – Tudo acontece em Nova York questiona os limites do sacrifício do artista em nome de sua arte. Aos poucos, a dupla de diretores faz um estudo de personagens e seu envolvimento com seu trabalho, e como isso pode influenciar nos relacionamentos pessoais. Especialmente os artistas cujo dilema está entre sua arte e o dinheiro a ganhar com ela. A questão central no filme se torna, então, até que ponto devemos dar apoio a quem amamos, mesmo em seus devaneios mais absurdos.
Construindo o filme como uma espécie de crônica, é nos personagens que a dupla de diretores, que também assina o roteiro, encontra o ponto forte para a construção das situações. Todos muito humanos em suas fragilidades e ambições, eles representam uma camada da sociedade que de tempos em tempos protagonizam filmes. Aqui, o que emerge é a humanidade deles.
