Scarlett Johansson tem se arriscado (se acerta ou erra é outra questão). Seus dois filmes mais recentes são ficções-científicas na qual faz tipos estranhos, pós-humanos. Em Sob a pele (recém-lançado em DVD e Blu Ray) é uma alienígena na Terra em busca de suas presas, em Ela, um computador. Em Lucy, é uma moça normal cuja vida se transforma quando seu corpo recebe acidentalmente uma dose altíssima de uma nova droga sintética, que aumenta sua capacidade cerebral.
Escrito e dirigido pelo francês Luc Besson (A Família, O Quinto Elemento), esse não é o primeiro filme na carreira dele a trazer uma espécie de empoderamento feminino – que já estava em seus Nikita (1990), O profissional (1994) e Joana D’arc (1999). Talvez nem seja possível classificar o filme como feminista, mas ao dar poder e voz a uma protagonista mulher num filme de ação já é algo a ser destacado. Como em seus outros filmes, o ponto alto é o visual, entretanto, os exageros estéticos e narrativos chegam a beirar o esvaziamento da narrativa.
Lucy (Scarlett) se envolve numa trama improvável de tráfico internacional comandada por um coreano, Mr. Jang (interpretado pelo sul-coreano Choi Min Sik, protagonista do “Old Boy” original). A nova droga, cujos princípios ativos são os mesmos de um hormônio produzido na gravidez que age sobre o desenvolvimento do feto, cai acidentalmente na corrente sanguínea da protagonista cuja capacidade mental cresce gradualmente até os 100%. Segundo o filme, uma pessoa comum usa apenas 10%.
A personagem, no entanto, não tem tempo de se dedicar a qualquer atividade que possa lhe render algum Nobel ou riquezas. Ela se torna uma estranha figura de filmes de ação com poderes físicos e mentais que (incluem a telepatia e comunicação à distância, entre outros) que a surpreendem. Lucy está mais para filme de ação do que drama – o que significa, na cartilha de Besson, que há muita correria, tiroteio, pancadaria e sangue, e inexistem psicologia ou uma mínima história de vida para a protagonista.
Ela é vista pela primeira vez na cena inicial, em frente a um gigantesco hotel, onde conversa com um sujeito que conheceu há pouco e que tenta convencê-la a entrar no lugar e chamar por um hóspede. Como ela não concorda, ele a obriga a entrar. Mas, para azar do rapaz, ele leva um tiro e morre contra a parede de vidro, para desespero de Lucy.
A partir de então, o filme vai crescendo em situações absurdas (um tanto divertidas, é bom admitir), que envolvem a personagem de Scarlett que, literalmente, sobe pelas paredes ou viaja no tempo – onde irá encontrar sua xará, a australopiteco cujos ossos foram descobertos na década de 1970. Já Besson empresta algo aqui e ali de outros diretores e encontra na histeria visual, narrativa e sonora a diversão que seu público aprecia.
