Talvez seja alguma nova tendência, ou não, mas A oeste do fim do mundo é, como, por exemplo a primeira parte de Eles voltam, um road movie às avessas – ou seja, os personagens ficam parados a estrada e diversas figuras passam por eles causando transformações. Ao centro está Leon (Cesar Trancoso, de O banheiro do Papa), dono de um posto de gasolina no meio do nada na região da Cordilheira dos Andes.
Seus poucos contatos com o mundo ‘externo’ se dão pela interação com os caminhoneiros que eventualmente param para abastecer – mas não podem fazer refeição, porque Leon fechou o restaurante – e um amigo, Silas (Nelson Diniz), que traz peças para uma moto que há anos o dono do posto tenta fazer funcionar. Quando o filme, escrito e dirigido por Paulo Nascimento (Em teu nome), parece se cansar do personagem, ou esbarrar nas limitações que o roteiro criou, entra em cena a gaúcha Ana (Fernanda Moro), que viaja em direção a Santiago.
Tanto Leon quanto Ana são personagens que tentam fugir de seus passados – e, não é preciso ficar intrigado por muito tempo, até o final do filme tudo será devidamente (e talvez desnecessariamente) explicado. As feridas dele são histórico-pessoais, enquanto a dela é apenas pessoal.
Os atores são esforçados e os personagens têm lá seus bons momentos – especialmente quando estão juntos, quando ela com sua delicadeza desmorona o mundo e a cara de durão do uruguaio radicado na Argentina – mas ainda falta algo ao filme. Não é sua aridez (tal qual a da região onde é situado) que o enfraquece – pelo contrário – mas quando o diretor esquece que menos é mais que longa toma rumos desnecessários, tocando em assuntos um tanto delicados para servir apenas de pano-de-fundo, como a Guerra das Malvinas.
