Regina Casé, no papel de Francis, é a vendedora do armazém do Nazir (Otavio Augusto), a Casa São Jorge. Vende de tudo, de bonecas a pisca-piscas de natal. Porém, quando falta um desses produtos, vê na casa do vizinho chinês um produto mais em conta e, definitivamente, o fim do próprio emprego. Afinal, quem pode competir com produtos tão baratos?
A comédia traz infantilidades sobre o confronto de culturas, mas é objetivamente tolerante com ele, a partir dos consensos e interações que existem na narrativa. Há bobagens, mas no fim o que vale é a interação, principalmente, entre os convidados chineses Yili Wang, Liou Sheanjiuan e Tony Lee (não atores), como aqueles que ninguém entende, o que se reverte nas melhores situações.
De forma direta, a produção pretende, como eixo, mostrar o Saara como protagonista, e a ideia original de um local como ponto de convergência entre árabes, judeus, chineses e brasileiros. Mas a produção teima em colocar a protagonista Francis (que se mistura a tudo) e os coadjuvantes chineses e brasileiros como saída hilária.
Regina Casé é excepcional como líder desse relacionamento. A veterana atriz leva tudo nas costas. O elenco, de uma felicidade harmônica, em que se destacam a belíssima Juliana Alves e o humorista Luis Lobianco (do “Porta dos Fundos”), mostram, a partir do roteiro criado em parceria com os atores, uma naturalidade quase improvisada.
Por isso, não há nada que indique que o filme possa ser, de fato, algo preconceituoso com a cultura chinesa. Ciavatta e a própria Regina Casé, fazem um filme simples sobre a desenvoltura do comércio chinês no Brasil, com fotografia e figurino evidentemente próprias para a situação. Além de evidenciar uma miscigenação que, documentalmente, parece já existir.
