26/07/2026
Comédia

Made in China

Francis é uma vendedora de loja que enfrenta o problema de vender produtos com um preço mais alto que os vizinhos chineses, no Saara, região de comércio popular no Rio de Janeiro. Com ajuda dos próprios orientais, vai tentar reerguer o negócio do chefe árabe.

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A invasão de produtos chineses no comércio local carioca é o foco de Made in China, produção do diretor Estevão Ciavatta, estrelada pela atriz Regina Casé. Passada no Saara, local em que se compra, barato, qualquer produto no Rio de Janeiro, a comédia mostra a absorção da cultura oriental no cotidiano dos vendedores fluminenses.

Regina Casé, no papel de Francis, é a vendedora do armazém do Nazir (Otavio Augusto), a Casa São Jorge. Vende de tudo, de bonecas a pisca-piscas de natal. Porém, quando falta um desses produtos, vê na casa do vizinho chinês um produto mais em conta e, definitivamente, o fim do próprio emprego. Afinal, quem pode competir com produtos tão baratos?

A comédia traz infantilidades sobre o confronto de culturas, mas é objetivamente tolerante com ele, a partir dos consensos e interações que existem na narrativa. Há bobagens, mas no fim o que vale é a interação, principalmente, entre os convidados chineses Yili Wang, Liou Sheanjiuan e Tony Lee (não atores), como aqueles que ninguém entende, o que se reverte nas melhores situações.


De forma direta, a produção pretende, como eixo, mostrar o Saara como protagonista, e a ideia original de um local como ponto de convergência entre árabes, judeus, chineses e brasileiros. Mas a produção teima em colocar a protagonista Francis (que se mistura a tudo) e os coadjuvantes chineses e brasileiros como saída hilária.

Regina Casé é excepcional como líder desse relacionamento. A veterana atriz leva tudo nas costas. O elenco, de uma felicidade harmônica, em que se destacam a belíssima Juliana Alves e o humorista Luis Lobianco (do “Porta dos Fundos”), mostram, a partir do roteiro criado em parceria com os atores, uma naturalidade quase improvisada.  

Por isso, não há nada que indique que o filme possa ser, de fato, algo preconceituoso com a cultura chinesa. Ciavatta e a própria Regina Casé, fazem um filme simples sobre a desenvoltura do comércio chinês no Brasil,  com fotografia e figurino evidentemente próprias para a situação. Além de evidenciar uma miscigenação que, documentalmente, parece já existir.
 

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