16/06/2026
Drama

Terra de Ninguém

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Combinando uma frenética energia e um sentido de humor negro que provoca os limites do politicamente correto, este filme de estréia do diretor bósnio Danis Tanovic traça mais um retrato de um dos conflitos mais absurdos e sangrentos da última década do século XX, a guerra da Bósnia. E, ponto para o estreante, consegue uma dramática originalidade, mesmo se comparado a outros filmes de inegável competência, como Antes da Chuva, de Milcho Manchevski, Bela Aldeia, Bela Chama, de Srdjan Dragojevic, e Underground - Mentiras de Guerra, de Emir Kusturica.

O ano é 1993. Surpreendidos pelo nevoeiro, um grupo de soldados bósnios que se esgueira na madrugada perde o rumo e acaba bombardeado pelas linhas de fogo sérvias. Quando a manhã chega, sobraram na estreita faixa que divide os dois territórios e é por isso chamada de "terra de ninguém", dois inimigos: um sérvio, Nino (Rene Bitorajac), outro bósnio, Ciki (Branko Djuric). Um quer matar o outro, mas nunca consegue, porque as armas mudam de mãos o tempo todo. A disputa se interrompe com a descoberta de uma questão mais urgente: outro soldado bósnio, Cera (Filip Sovagovic), que os sérvios julgaram morto, foi jogado sobre uma mina. Agora, se fizer o mínimo movimento, tudo irá pelos ares.

O drama força os dois inimigos a procurar uma trégua. Uma missão da ONU é chamada, mas não demonstra a vontade política necessária para romper o dilema porque os oficiais superiores, como o coronel inglês Soft (Simon Callow), não compartilham das melhores intenções dos escalões inferiores, como o sargento francês Marchand (George Siatidis). O habitual circo da mídia, tendo à frente a jornalista britânica Jane (Katrin Cartlidge), observa de perto o impasse, o que não signica que compreenda devidamente o que está se desenrolando debaixo de seus olhos. A seqüência dos acontecimentos serve como ácido comentário da incompetência, aqui elevada à potência de crime, tanto dos políticos, quanto dos militares, sob uma absurda conivência da imprensa.

Sem flertar com um humanismo fácil, o filme está colecionando prêmios mundo afora. O primeiro foi o troféu de melhor roteiro no Festival de Cannes/2001. Recentemente, arrebatou também os troféus de melhor filme estrangeiro de 2001 para o National Board of Review, a International Press Academy de Los Angeles (o Golden Satellite), além de garantir o Globo de Ouro da mesma categoria. Curiosamente, a trajetória deste filme teve uma etapa no Brasil. Em 1999, foi aqui que se encontraram três daqueles que acabaram se tornando seus produtores, o iugoslavo Cedomir Kolar, o suíço Marco Müller e a cineasta belga Marion Hänsel, todos jurados na 23a Mostra Internacional de Cinema.

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