Baseado no conto Viagem ao passado, de Stefan Zweig (publicado postumamente), que Leconte adaptou com a ajuda de seu usual colaborador Jérôme Tonnerre, o filme conta uma história de amor ambientada na Alemanha em 1912, em que falta justamente paixão. De forma sintomática, a narrativa carece da emoção e sensualidade (mesmo que um tanto pudica) da obra.
No roteiro, o jovem Friedrich Zeitz (Richard Madden, da série Game of Thrones) é contratado para trabalhar na siderúrgica de Karl Hoffmeister (o extraordinário Alan Rickman). Esperto e diligente, o rapaz é logo alçado a secretário pessoal do patrão, que o trata como uma espécie de protegido.
Quando a saúde de Karl degringola, Friedrich passa a conviver na casa do chefe (é até chamado a viver lá) e se torna íntimo da família. Em especial, de Lotte (Rebecca Hall, de Transcendence), a jovem esposa de Karl. Entende-se que dali nascerá uma paixão arrebatadora, que fará Friedrich decidir entre a lealdade ao chefe e o seu novo amor.
Embora o argumento mostre-se correto, o trabalho realizado por Leconte causa certos estranhamentos. O primeiro é a fotografia monótona do português Eduardo Serra (outro colaborador constante do diretor), que torna a relação Friedrich/Lotte ainda mais insípida, graças à falta de empatia entre Madden e Hall. Outro é o irregular tratamento de um ponto chave da trama: a dolorosa passagem do tempo para os possíveis amantes. Inexplicavelmente, isso não parece fazer efeito sobre as personagens, seja fisicamente, seja nas insossas cartas que Lotte escreve para si mesma, pois é impossível postá-las durante a primeira guerra mundial.
O filme, nesse sentido, não apresenta nenhum dos elementos que marcam o estilo tão original e intenso da filmografia de Leconte - e o tornaram um dos melhores diretores franceses. Uma Promessa torna-se, assim, bastante frustrante.
