04/06/2026
Documentário

O universo Graciliano

A figura do escritor alagoano Graciliano Ramos (1892-1953) é relembrada em materiais de arquivo e entrevistas de parentes, como suas filhas Clara, Luiza e Elisabeth, e amigos e contemporâneos, como Oscar Niemeyer, Ledo Ivo, Paulo Mercadante e Armênio Guedes.

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Sessenta anos depois de sua morte, o escritor Graciliano Ramos (1892-1953) é relembrado no documentário O Universo Graciliano, de Sylvio Back.
 
Se nada há, a rigor, de excepcional, na fórmula do filme, que recorre às habituais entrevistas e materiais de arquivo, a atração maior está, justamente, no conteúdo de alguns deles. Como é o caso do vívido relato do escritor Lêdo Ivo (morto em 2012) – que descobriu a grandeza do autor alagoano ao ler seu romance Angústia, ainda garoto, em ocasião em que Graciliano era preso político da ditadura do Estado Novo, no Rio.
 
A vinculação comunista de Graciliano, que tanto marcou sua trajetória, como não poderia deixar de ser é lembrada em várias entrevistas, como a do arquiteto Oscar Niemeyer (também morto em 2012), amigos como Armênio Guedes e Paulo Mercadante, e também das filhas do escritor, Clara e Luiza.
 
Através das conversas, traça-se uma sintética biografia de Graciliano, seus dois casamentos e sua carreira política - lembrando que a linguagem precisa de seus relatórios, como prefeito de Palmeira dos Índios, já antecipava o fino talento do escritor. Sua ética firme foi demonstrada quando negou favores ao próprio pai, o fazendeiro Sebastião, enquanto era prefeito. “Prefeito não tem pai”, dizia.

Sem pretender esgotar o vulto de um dos maiores autores brasileiros, o documentário sinaliza algumas das mais típicas virtudes gracilianas, como seu poder de síntese numa linguagem sem sobras, sem firulas – pedra fundamental de seus romances Vidas Secas, Memórias do Cárcere, São Bernardo e outros. Além disso, revela uma fresta de um homem de poucas palavras e afetos contidos, mas grandeza cristalina. 

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