04/06/2026
Comédia

Se fazendo de morto

Jean é ator e está desempregado. O único trabalho que consegue é com a polícia, participando de reconstituição de crimes. Porém, se envolve tanto que em certo momento começa a liderar a investigação de uma série de assassinatos.

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Curioso pensar o que levou os irmãos belgas Luc e Jean-Pierre Dardenne a se envolver na produção da comédia Se Fazendo de Morto. Não que o filme seja ruim, mas passa longe dos dramas sociais e sombrios da carreira deles – como A Criança e O Garoto de Bicicleta. Na verdade, com uma mudança de tom aqui, poderia muito bem ser um filme dirigido por eles.
 
O protagonista é Jean Renault (François Damiens, de A Família Bélier), um ator temperamental que acaba não conseguindo emprego de tanto bater de frente com os diretores. Seu trabalho mais recente foi o de detetive numa série investigativa. Precisando de dinheiro, aceita trabalhar nas reconstituição de crimes para a polícia.
 
Nos Alpes Franceses, assume o papel da vítima numa investigação que se arrasta por um bom tempo. Obcecado pela construção de personagens, Jean acaba apontando detalhes que, até então, passaram despercebidos, e dando um novo andamento para o caso.
 
Damiens retrata um ator com um ego gigantesco, que se acha uma estrela mundial e cuja modéstia soa falsa, encarando sua função dentro da reconstituição com mais importância do que realmente tem. A partir disso o diretor Jean-Paul Salomé constrói boas situações cômicas. Em Se Fazendo de morto, no entanto, a comédia parece estar mais bem-resolvida do que o suspense. A introdução de suspeitos e reviravoltas tenta trazer uma seriedade, um tom que nem sempre combina com o resto do filme.
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