O diretor argentino Benjamim Naishtat levou quatro anos para tirar do roteiro Bem perto de Buenos Aires, sua estréia em longa-metragem. Visto durante os festivais do Rio e de Veneza, no ano passado, o filme é mais um representante do vigoroso cinema argentino contemporâneo e, no seu caso, antenado com o que acontece não só em seu país como nas demais nações periféricas, onde riqueza e pobreza convivem lado a lado.
Numa região próxima à capital argentina, mas que poderia ser em São Paulo, Rio ou outra grande cidade latino-americana, moradores de um condomínio luxuoso estão bem próximos de favelas. Aqui como lá, o medo permeia o cotidiano dessas pessoas. Existe no ar um perigo iminente, uma desconfiança com o outro.
A vida prossegue dentro dessa rotina sombria quando fatos estranhos começam a acontecer, alimentando ainda mais a paranóia dos moradores que tentam se isolar do mundo exterior. Um helicóptero da polícia sobrevoa o bairro, cortes no fornecimento de energia elétrica, alarmes residenciais que disparam e um misterioso buraco na cerca do condomínio aumentam a angústia e o clima de insegurança. A presença de um jovem jardineiro, que veio de fora dessa zona de conforto, também contribui para o clima de desconfiança.
