03/06/2026
Romance Filme de época Drama

Rainha & País

Bill Rohan tem 18 anos e foi convocado para o exército. Mas não é mandado para o front, na guerra da Coreia, como esperava. Ao invés disso, o que o espera é um longo tédio no quartel, onde apronta travessuras com ajuda do amigo Percy e foge da marcação cerrada do sargento Percy. Os dois estão loucos para envolver-se com mulheres, o que é complicado nesta situação de soldados.

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Voltando ao baú de suas memórias pessoais, que rendeu o delicioso Esperança e Glória (1987), em que visitou sua infância durante a II Guerra Mundial, o diretor e roteirista britânico John Boorman recria agora memórias de sua juventude em uma nova comédia dramática, Rainha & País.
 
Seu alter ego e protagonista, Bill Rohan, tem 18 anos (interpretado por Callum Turner, da série Os Bórgias). Nos anos 1950, ele é obrigado a deixar de lado os estudos e seus longos dias de natação ao ser convocado para o exército, num tempo em que acontecia a guerra da Coreia.
 
Mas Bill, assim como seu melhor amigo, o inquieto Percy (Caleb Landry Jones), não são mandados ao front. Ficam num quartel, encarregados de conduzir aulas de datilografia para recrutas da mesma idade que, tanto quanto eles, querem mais é se divertir.
 
Um obstáculo constante é o sargento Bradley (David Thewlis), oficial apegado às entrelinhas dos regulamentos, sempre disposto a reportar a menor falha dos meninos junto ao superior, o major Cross (Richard E. Grant). Nem mesmo Cross tem paciência para tanto rigor mas, mesmo assim, Bradley não dá trégua.
 
Por conta dessa marcação cerrada e também do tédio da vida militar é que o travesso Percy acaba planejando o roubo de um relógio muito caro aos oficiais, colocando numa séria confusão tanto a si mesmo quanto Bill e ainda mais Redmond (Pat Shortt), um outro soldado gordinho e muito malandro, que evita serviço pesado alegando um vago problema nas costas.
 
A ida para a guerra é uma ameaça iminente, nunca cumprida, o que contribui para o tédio ainda maior dos meninos, ainda mais devido a uma outra ansiedade permanente, em torno do início de sua vida amorosa.
Bill e Percy saem com enfermeiras, como Sophie (Aimee-Ffion Edwards), que flerta com um e outro. Mas Bill se enamora de uma estudante, que ele chama de Ophelia (Tamsin Egerton) e que é mais fonte de angústia do que de realização. A moça tem outro namorado, mas a concorrência parece estimular ainda mais a paixão do romântico Bill.
 
Como em Esperança e Glória, Boorman alterna constantemente o clima entre alegria e melancolia, drama e comédia, paixão e perda, alternando estes momentos no retrato de seus personagens e de seu entorno – como o ambiente familiar de Bill, que é revelado numa saborosa sequência, em que Percy será apresentado à irmã casada do amigo, Dawn (Vanessa Kirby).
 
Detalhes do casamento dos pais de Bill (Sinéad Cusack e David Hayman) entram na trama, que flui em torno do amadurecimento atribulado deste protagonista – encarnado com sutileza pelo ator Callum Turner. Já Caleb Landry Jones injeta um tanto de overacting no seu elétrico Percy – há momentos em que um tom abaixo lhe serviria melhor.
 
Não é necessário ter visto Esperança e Glória para aproveitar esta história, que se desenvolve independentemente daquela primeira, mantendo com esta um parentesco inegável, em termos de delicada nostalgia, irreverência, desacato à ideia de autoridade e drama à espreita onde às vezes não se espera. O veterano Boorman, de 82 anos, continua com boa mão como diretor.
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