25/07/2026
Documentário

Cativas - presas pelo coração

Documentário retrata os casos de sete mulheres, de diferentes idades e profissões, que têm em comum o fato de terem se apaixonado por homens que vivem atrás das grades, às vezes condenados a longas penas de prisão. O filme aborda seus sonhos, problemas e esperanças.

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Partindo de um curta ultrapremiado – Visita Íntima, de 2005 – a diretora Joana Nin aprofunda e amplia o universo das mulheres que mantêm relacionamentos com presidiários em Cativas – Presas pelo Coração.
 
Pelo menos duas personagens do curta retornam no longa: Cida, que viu o prisioneiro por quem se apaixonou pela primeira vez na televisão; e Malu, que reencontrou, 10 anos depois, o pai de sua primeira filha, apenas para vê-lo preso numa longa sentença, o que não a impediu de manter um casamento e ter outros filhos com ele.
 
Elas e outras mulheres, de diferentes idades, compõem o universo principal do filme, apresentando um mosaico humano extraordinariamente complexo, eventualmente contraditório, que tira o espectador de sua zona de conforto pois, em geral, põem à prova suas convicções, que não bastam para desvendar a realidade delas.
 
A intimidade de Joana com o tema e com algumas destas mulheres permite uma profundidade que dificilmente um diretor estranho a este mundo conseguiria alcançar. Elas falam com a diretora como se estivessem num confessionário. E é impossível não se surpreender com a alta voltagem das emoções de todas elas, que alimentam estes relacionamentos amorosos à distância particularmente através de cartas e das esparsas visitas permitidas. Todos os homens são prisioneiros da Penitenciária do Estado do Paraná.
 
Uma diferença – e vantagem – em relação ao curta de 2005 é a possibilidade de filmar dentro da prisão e de mostrar, também, o outro lado, ou seja, alguns destes homens que são o objeto de tanto desejo e tanto amor, apesar dos crimes cometidos. Não é incomum que algumas destas mulheres se recusem mesmo a saber em detalhes quais os delitos pelos quais seus homens estão encarcerados, inclusive por longas penas. E não porque necessariamente os considerem inocentes; apenas todas compartilham o sentimento de que é possível sua redenção e futura vida familiar ao lado delas, num romantismo extremado, às vezes quase infantil.
 
Outro acréscimo em relação ao curta é mostrar em detalhes o penoso procedimento a que se submetem estas mulheres para as visitas, compreendendo o desnudamento e revistas. As “veteranas” nestas práticas mostram-se solícitas para ajudar a novata, Camila, de 21 anos, que se envolveu há meses com um prisioneiro, a enfrentar, pela primeira vez, um pesadelo de regras, burocracia e um rigor que beira o constrangimento, pelo menos para quem vê de fora e é alheio a este mundo.
 
Uma sequência singular mostra o casamento da educadora Andreia com o eletricista e detento Renato – casal que tem dois filhos pequenos. O filme começa, aliás, com a compra do vestido de noiva por Andreia, que não dispensa qualquer detalhe deste evento com que muitas mulheres sonham a vida toda. No caso dela, esta ocasião é de alegria curta, já que, apenas terminada a cerimônia, Renato deve retornar à sua cela.
 
A ausência de entrevistas com funcionários da prisão, psicólogos, etc. evidencia a opção da diretora por não sociologizar a questão, dispensando o recurso a uma palavra externa de suposta “autoridade”. O foco é humano. E a palavra está com estas mulheres, para quem se evoca respeito, ainda que suas opções possam causar perplexidade ou discordância.
 
Se não fala diretamente disto, o filme também leva a pensar na importância destes laços afetivos externos para os prisioneiros – pensando em recuperação, vida fora da cadeia, reinserção social. Neste sentido, projeta, também, uma discussão sobre direitos humanos que vai além de seu foco principal. 
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