04/06/2026
Suspense Drama

Pecados Antigos, Longas Sombras

Um serial killer está aterrorizando uma região remota da Espanha, e dois detetives são chamados para resolver o caso. O país ainda vive sob o trauma da ditadura franquista e os dois policiais revelam ter visões opostas sobre o mundo e a política.

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Ganhador de diversos prêmios Goya neste ano – entre eles, melhor filme e diretor –, Pecados Antigos, Longas Sombras estranhamente lembra a série True Crime, seja em sua trama noir ou na paisagem exótica, no caso, a região do Rio Guadalquivir, Andaluzia, ou até em seu trabalho de câmera. O seu diferencial está na dimensão política do longa de Alberto Rodríguez, que se passa no começo dos anos de 1980, quando a Espanha ainda enfrenta feridas do regime ditatorial de Franco.
 
Os protagonistas são dois policiais, Pedro (Raúl Arévalo), de esquerda, e Juan (Javier Gutiérrez), que é reacionário. O cenário é o que causa o estranhamento desde a abertura do filme, quando o delta do rio é mostrado numa vista aérea, como um quebra-cabeça. A sua beleza turística, no entanto, não é o que interessa a Rodrígues.
 
A dupla irá investigar um serial killer que aterroriza a região, e o filme segue os procedimentos do gênero, com pistas falsas, perseguições e reviravoltas. Mais importante do que o diretor – que assina o roteiro com  Rafael Cobos – conta é como ele conta. E aqui, Rodrígues se supera.
 
Usando como referência a obra do fotógrafo sevilhano Atín Aya, cujos pretos-e-brancos formam um jogo de sombras e contrastes, o diretor de fotografia Alex Catalán cria uma paleta de cores que remetem ao noir, mas também lembra o sul dos EUA, com sua paisagem e tipos humanos peculiares.
 
A dimensão política sobressai desde o começo, quando os detetives chegam à região no dia em que separatistas bascos assassinaram guardas civis na região de Markina. Ao mesmo tempo, as pessoas precisam lidar com os efeitos do franquismo que ainda paira sobre suas vidas. As duas visões de mundo dos detetives são os pontos de vista opostos na Espanha daquele momento. Mas o diretor não é dado a simplificar questões e as nuances que traz aos seus personagens amplificam a questão política de seu filme.
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