Claudia (Emanuela Fontes) vive na periferia, mas sonha em ser pianista desde que participou de um programa de musicalização para jovens sem recursos. Inscrita no vestibular para o curso de música na USP, ela precisa de um piano para praticar para a prova de aptidão, por isso pede autorização à professora para usar o instrumento do centro cultural, que lhe é negada, e acompanhada da frase: “Você fez uma escolha difícil”.
É nesse dilema que o filme, dirigido por Marcelo Toledo, se constrói. Claudia quer ascender socialmente, mas isso é a consequência de seu esforço, cujo estímulo é o piano. Depois de muito pensar em alternativas para resolver o problema, é seu namorado (Maxwell Nascimento) que surge com a solução: invadir lojas, centros culturais e afins durante a noite e finais de semana, apenas para ela poder praticar nos pianos.
A discussão que se dá em Invasores é pela ocupação dos espaços pela periferia, tanto de forma real, quanto simbólica. Quando desestimulada, Claudia ouve de amigos que deveria desistir da USP e usar sua boa nota no ENEM para conseguir uma bolsa numa faculdade particular fraca e se formar. Mas para ela isso é pouco. Seu piano, sua arte é um contraponto à dureza de seu cotidiano. Ainda assim, é cobrada por colegas do namorado, que são pichadores, por “tocar música de burguês”.
Toledo – trabalhando a partir de um roteiro de Ana Paul – investiga as motivações dessa garota e suas indagações éticas sobre as invasões. Mas, como parece apontar o longa, a ascensão social faz parte de um projeto maior, ao menos para Claudia.
