16/06/2026
Comédia

Um Dia de Rainha

post-ex_7
Relações afetivas entre homens e mulheres são tão complexas que nem mesmo as pessoas mais racionais são poupadas de momentos de nonsense. A perversidade da carência embriaga relações clandestinas ao mesmo tempo em que mostra o quão fraco somos quando dependemos física e emocionalmente de alguém na busca por felicidades corriqueiras.

Quando a mistura de sofrimento, luxúria, insensatez e desequilíbrio emocional chega às mãos da diretora Marion Vernoux, a linha entre o trágico e o cômico se torna tão abstrata quanto as certezas de seus personagens. Seu novo filme Um Dia de Rainha, além de ser prova disso, é uma verdadeira desconstrução de dramas confidenciais de sedução, adultério, divórcio e abandono.

Tudo começa em uma festa de casamento, na qual o noivo seduz a fotógrafa freelancer. As cenas de volúpia e assédio são interrompidas a todo o momento pela frustração dos outros personagens em conseguir alguém. É o evento detonador de uma série de encontros e desencontros entre esses personagens e outros que, de alguma forma, são indiretamente atingidos.

Meses depois, a câmera acompanha o acaso desses personagens, ligando cada um deles em algum momento do dia. Todos acabam em um jogo de ilusões românticas e desilusão, que Vernoux explora no limite da sanidade. Nesse sentido, o filme torna-se uma colagem de nossas misérias mais íntimas, que nos fazem rir quando as marcas já estão cicatrizadas.

Além de um roteiro impecável e das performances sensíveis de seus atores, o filme ainda abusa, com muita propriedade, da variação de velocidade de câmera e das imagens de Paris. Essa opção, mais do que acertada, permite que Vernoux una, em rápidas seqüências, as fantasias de seus personagens ao isolamento cada vez maior das pessoas nas grandes cidades.

Cineweb-20/9/2002

post