Onde o Mar Descansa, dirigido por André Semenza e Fernanda Lippi, é um filme especial, uma meditação sobre o amor e o luto, situado numa gélida Suécia do século XIX. Ao centro, duas amantes e a dor da perda. Uma delas (Livia Range), apesar de morta, ainda é vista por sua companheira (a codiretora Fernanda, também responsável pelas coreografias).
A dança é, ao mesmo tempo, a forma de perpetuação do amor, a superação e o exorcismo da perda irremovível. Acompanhamos as idas e vindas, os passos, o enfrentamento da paisagem coberta de neve. O que os diretores buscam – com a fotografia de Marcus Waterloo – é uma geografia da solidão. Textos de Katherine Philips, Renée Vivien e Algernon Charles Swinburne dão o tom, numa narrativa tão etérea que quase não narra, mas mostra as possibilidades dessas duas personagens.
Onde o Mar Descansa é um filme para públicos específicos – seja em sua proposta de dança e no hermetismo a que beira – mas, com suas particularidades, mostra o poder de reconstrução de que a arte é capaz.
