26/07/2026
Comédia

O Que Eu Fiz Para Merecer Isso? (2016)

Michel é fã de jazz e colecionador de discos raros. Quando encontra uma preciosidade, chega em casa e vai direto ao aparelho de som para ouvir. Uma série de incidentes impedem que ele realize seu desejo.

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Dirigida pelo veterano Patrice Leconte, a comédia francesa O Que Eu Fiz Para Merecer Isso? baseia-se numa peça de teatro de Florian Zeller, e não esconde suas origens. Aliás, isto não é um problema, e sim uma das virtudes do longa, por conta de sua agilidade dramática e timing cômico.
 
Michel Leproux (Christian Clavier) é fanático por jazz e colecionador de discos clássicos do gênero. Quando encontra um vinil raro numa loja de usados, a única coisa que deseja é uma hora de sossego para ouvi-lo em paz. Justamente aí uma série de incidentes se intrometem entre ele e sua nova aquisição, assim que chega ao seu belo apartamento.
 
Sua mulher, Nathalie (Carole Bouquet), está ao telefone, e não para de falar – e grandes problemas parecem se aproximar. A empregada, Maria (a almodovariana Rossy de Palma), insiste em fazer limpeza, mesmo tendo sido dispensada porque é sábado. A amante dele (Valérie Bonneton) pretende contar para todo mundo sobre o caso. O filho (Sébastien Castro), que mora no apartamento do andar de cima, está abrigando refugiados em sua casa. E, por fim, o pedreiro polonês (Arnaud Henriet) está arrebentando a parede de um dos cômodos.
 
Esse cenário de caos se compõe, aos poucos, com um contínuo entra-e-sai, diálogos ácidos e situações cômicas, mas com toques sérios sobre questões sociais contemporâneas. A dinâmica estabelecida pelo diretor, também responsável pelo roteiro adaptado, é entre a alta cultura – na verdade, uma cultura que, com o tempo ganhou esse status – e a vida dos imigrantes e refugiados.
 
A diferença entre o apartamento de Michel e o do filho, com uma família de refugiados, é gritante. Apesar da chave cômica, Leconte injeta em seu filme uma crítica a uma classe média ensimesmada, preocupada em ter “apenas uma hora para ouvir o disco novo”. Se o rapaz é pintado como um mimado e inconsequente no começo, na reta final revela-se como o único personagem não-egocêntrico e capaz de algum gesto altruísta. 
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