04/06/2026
Documentário

São Paulo em Hi-Fi

Pesquisadores, jornalistas e personagens célebres da cena LGBTQIA+ de São Paulo, entre as décadas em 1950 a 1980, contam ao espectador um pouco mais dos bastidores e curiosidades da época em que o glamour era fundamental, apesar da perseguição à comunidade.

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Dedicado a retratar a comunidade LGBTT em suas produções, como o fez em A Volta da Pauliceia Desvairada (2012), o jornalista, escritor e cineasta Lufe Steffen faz um novo documentário sobre a temática, mas, desta vez, em um recorte histórico. Apresenta a cena entre os anos de 1950 a 1980, ao contrário de seu longa de estreia, em que apontou para um panorama mais atual da comunidade, a partir de depoimentos e imagens de arquivo.

Estão ali personalidades importantes na época, como a empresária Elisa Mascaro, proprietária das três casas noturnas mais badaladas da cidade: o K-7, o Medieval e a Corintho. Tal como as celebridades do meio, como Miss Biá, Gretta Starr e Kaká di Polly, além de pesquisadores (James Green), escritores (João Silvério Trevisan) e os jornalistas Leão Lobo, Mário Mendes e Celso Curi, referência por ser autor da “Coluna do Meio”, primeira coluna gay do jornalismo brasileiro, em 1976.

Os depoimentos são acompanhados por imagens captadas em shows, que embora não sejam datadas ou mesmo identificadas, simbolizam o glamour dos anos em que a cena se dedicava ao espetáculo. Um investimento na teatralidade, que os próprios entrevistados dizem que já não existem mais, como Kaká di Polly: “quem quer glamour, deve ir para outros países”.

Por essa razão, São Paulo em Hi-Fi se apresenta mais como uma homenagem, do que propriamente um estudo da época. Não há voz que destoe da nostalgia, nestas memórias carregadas de saudosismo. Mesmo quando a narrativa avança para os grandes desafios da comunidade LGBTT, como a repressão (ainda maior no período da ditadura) ou a epidemia de AIDS (a partir de meados dos anos de 1980), os temas são tratados de forma pouco profunda e ligados às experiências pessoais de quem está frente à câmera.

Com uma visão privilegiada, a partir dos recortes trazidos por seus personagens, Lufe Steffen, no entanto, entrega um documentário tecnicamente conservador, quadrado. A sucessão entre depoimentos e imagem se apresenta pesada, muito longe do colorido, da criatividade e do glamour que revela no espetáculo que descrevem as personalidades na tela.

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