Desde Only God Forgives, desastroso concorrente à Palma de Ouro em Cannes em 2013, uma certa desconfiança esperava a passagem do novo filme de Nicolas Winding Refn, Demônio de Neon. As piores impressões, infelizmente, se confirmaram.
Mais uma vez, o exagero visual estiloso se sobrepõe a tudo o mais, compondo uma crônica artificiosa e superficial de quase horror sobre a trajetória de uma aspirante a modelo adolescente (Elle Fanning), que desembarca em Los Angeles e é literalmente devorada pelas engrenagens de um mundo da moda, em que a competição e a inveja são levadas às últimas consequências.
O filme, especialmente em suas sequências finais, é para estômagos fortes, já que não há nenhuma contenção em mostrar violência, com sugestão de massacre e antropofagia (isto depois de escorregar em todo tipo de clichê possível de filme B de terror numa perseguição dentro de uma casa elegante e, antes, num motel decadente, um sub-Bates Motel em que Keanu Reeves faz as vezes de gerente maluco). E o tormento dura praticamente duas intermináveis horas.
Parece que Refn esgotou seus melhores talentos no ótimo Drive, que lhe deu o prêmio de direção em Cannes há 5 anos atrás e fez decolar a carreira do ator Ryan Gosling. De lá para cá, é só ladeira abaixo...
