Num bairro de Mea Sherarim, em Jerusalém, habitado por judeus ultra-ortodoxos, Meir (Yoram Hattab) é um estudante aplicado da Torá, o livro sagrado do judaismo, e não deixa de cumprir rigorosamente suas obrigações rituais. Casado há dez anos com Rivka (Yael Abecassis), a quem ama verdadeiramente, sofre por não conseguir ter filhos. Seu pai, o rabino da comunidade, o atormenta com a necessidade de colocar filhos no mundo para dar continuidade a sua linhagem e seguir os preceitos da religião. Para o pai, mulheres estéreis não deveriam viver.
Rivka procura fazer sua parte para satisfazer ao desejo do marido e do sogro. Segue vários rituais para aumentar a fertilidade e procura a ajuda de uma médica. Os dias passam e a mulher sente o marido se afastar. Ele próprio está dividido: preferiria continuar seu casamento feliz, mas a vigilância paterna opressiva o coloca numa situação desconfortável. O pai rabino intensifica a pressão e ordena que ele despose uma outra mulher exclusivamente para a procriação. Ao contrário do filme iraniano Leila, dirigido por Dariush Mehrjui, em que a mesma situação se apresenta e o marido se rebela por amar a mulher, Meir não consegue enfrentar a autoridade do pai e aceita calado uma nova esposa.
Rivka é obrigada a sair de casa e entra em profunda depressão. Sua única companhia é a irmã Malka (Meital Barda) que também vive um drama angustiante. Apaixonada por Yaakov (Sami Hori), é forçada pelo rabino a se casar com Yossef (Uri Ran Klauzner), que mal conhece. A noite de núpcias de Malka transforma-se num pesadelo e sua defloração por Yossef, um verdadeiro estupro.
Malka quer se rebelar e viver sua vida fora da comunidade, longe do extremismo religioso. Mas as duas irmãs pouco podem fazer para sair do ambiente sufocante e opressivo em que vivem. O filme corajoso do consagrado diretor Amos Gitai não teme tocar num tema delicado, que divide a opinião dos judeus.
