16/08/2026
Aventura

Missão: Impossível 2

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Foi como a véspera do lançamento de um foguete interplanetário. Ainda mais sendo uma seqüência e de um megasucesso como o de Brian De Palma (96), a expectativa antes da estréia era grande. Mas a ambição, o orçamento (algo em torno dos US$ 90 milhões) e o arrojo de John Woo e Tom Cruise foram ainda maiores, criando um filme superior ao pioneiro e, ao que tudo indica, mais lucrativo. Até o dia 18 de junho, menos de um mês após o lançamento, as caixas registradoras já contabilizavam cerca de U$ 176 milhões só nos EUA.

A guerra química está no centro da aventura. Um cientista do Leste europeu (Rade Serbedzija, de Antes da Chuva) criou um vírus altamente letal, Quimera, e também seu antídoto, Belerofonte - nomes tirados da mitologia grega. O vírus cai nas mãos erradas de um terrorista internacional, Sean Ambrose (Dougray Scott), e o mais requisitado dos espiões, Ethan Hunt (Cruise), é arrancado de suas férias para colocar o mundo de volta no lugar.

É das muito radicais férias do espião que saiu a cena vista no trailer de pré-lançamento do filme e que mostra o ator escalando uma altíssima parede de pedra no deserto de Moab, no Estado americano de Utah. Aí a platéia já tem a primeira vertigem, ao ver o astro pendurado muito metros acima do solo, sem cordas aparentes (ele jura que não havia nenhuma) e com uma câmera dentro de um helicóptero captando todos os detalhes. Ficaram para trás as referências da série de TV dos anos 66-73 que inspiraram a aventura. No seu lugar, instala-se o melhor estilo John Woo. Ou seja, longas seqüências em câmera lenta, marca registrada do diretor desde os tempos de Hong Kong, e uma profusão de máscaras, como em A Outra Face. Cruise troca de cara mais do que de roupa, enganando vilões e platéias, como o mais escorregadio dos espiões. Além disso, o veterano Woo, 54 anos, busca modelos no passado do cinema, encenando um eletrizante duelo de motocicletas como um faroeste, o que torna Cruise um charmoso e atlético John Wayne da era moderna.

Cruise brilha mais nesta seqüência, é verdade, porque os vilões não têm um décimo de seu carisma. É o caso de Dougray Scott, o príncipe de Para Sempre Cinderela, insípido lá e cá. Richard Roxburgh, como o fiel escudeiro do primeiro malvado, tem mais personalidade, mas também não lhe sobra espaço para fazer sombra ao protagonista. Boa precaução de Cruise, astro e produtor que controlou os mínimos detalhes da empreitada. Assim, não correu o risco de ver entregue ao versátil veterano Anthony Hopkins um posto de vilão, pronto a disputar com ele o controle do mundo e do filme.

Sem aparecer nos créditos, Hopkins faz uma ponta como o chefe de Hunt, mas fica em cena apenas o bastante para pronunciar algumas frases-chave sobre as férias ("se sabem onde estamos, então não são férias") e outra sobre a natureza dos encargos do espião ("não é uma missão difícil, é uma missão impossível"). Hopkins faz sua parte e some do quadro, assim como Ving Rhames, o parceiro de Cruise encarregado de outras gracinhas, como: "Ele estragou meu Versace", sobre um gângster que acaba de fazer um rombo no seu casaco.

Um dos segredos do bom tempero desta seqüência é abrir espaço para rir de si mesmo, de sua própria mitologia, e levar a platéia junto. É parte do charme do roteiro do lendário Robert Towne, o homem que escreveu Chinatown. O outro segredo da receita é o sex-appeal de Thandie Newton, a jóia britânica nascida na Zâmbia que contracenou com Oprah Winfrey no drama Bem-Amada. Filha de uma princesa da tribo Shona e de um inglês, a atriz de 27 anos aumenta a temperatura geral quando desfila a sua esguia anatomia.

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